Como diria Lopes Graça, acordai senhores!!!
Uns metros de estrada, às vezes só a placa a indicar a obra que não sabemos se algum dia vai ser construída, é já razão suficiente para a presença de uma comitiva de ministeriais mais os batedores da polícia e os guarda-costas do ministro da tutela. Todos numa procissão e nem precisariam de mais ninguém para bater as palmas porque, de tantos que são, chegavam para, sozinhos, fazerem a festa! A inauguração do lavadouro ou do fontanário não dispensa as tradicionais bênçãos nem os fastientos discursos governamentais que, em vez de serem um pedido de desculpa ao povo pelo atraso na efectivação da obra, são palavras empolgantes e à espera de um ruidoso agradecimento que encha o seu ego. Nada escapa à campanha eleiçoeira e até a abertura do ano lectivo é feita com a pompa e a circunstância dos grandes acontecimentos, como se de alguma coisa anormal se tratasse. Mas anormal mesmo é o procedimento de quem aproveita os mais vulgares e, tantas vezes, atrasados acontecimentos para nos atirar, porta dentro, uma tão descarada quanto excessiva propaganda via rádio, televisão, revistas, jornais e internet para, por todos os meios, nos fazerem crer que agora é que vai ser governar. Eles preocupam-se, estupidamente, com o show off e, vai daí, aproveitam todas, e às vezes, as mais ridículas ocasiões para propagandear, agredindo a sensibilidade do povo a quem tomam por estúpido e sem respeito pelo que gastam ao País, em mobilização de meios e deslocações. Tanta crítica se fez no passado que ainda recordamos o escarcéu, ao tempo, feito pela aguerrida oposição à ditadura, quando se inaugurou o primeiro troço de Auto-Estrada Lisboa/Vila Franca. E quando naqueles tempos difíceis alguém levava à escola uns cadernos e uns lápis para os alunos mais carenciados, e eram muitos, logo a oposição rotulava o acto de instrumentalização, propaganda, manipulação política. Quando algum mecenas, com a melhor das intenções, distribuía umas peças de vestuário para amenizar, aos mais rotos, o rigor dos Invernos, estava a fazer o jogo do governo, gritavam os do reviralho. Mas, em matéria de propaganda, os ditadores de ontem teriam muito que aprender com os de hoje. Agora, é como se vê: É o Primeiro-Ministro em pessoa e rodeado da comandita do costume - e sem limites no tempo e nas despesas - que vai de escola em escola, como um qualquer Pai Natal, que distribui brinquedos. Apesar de nunca os termos tido, nada temos contra os brinquedos, mas espanta-nos que, para quem governa, não haja preocupações maiores, e deixe para os directores das escolas a missão de distribuir os brinquedos e o material escolar. E surpreende-nos ainda mais quando o Zé fica de olhos esbugalhados, queixo babado e ouvidos à escuta para não perder pitada dos discursos circunstanciais, já gastos e enjoativos, cheios de mímica e trejeitos teatrais dos oradores, a fazerem-nos acreditar que agora é que vamos comandar a Europa tecnológica quando, afinal, ainda nem saímos da cauda do pelotão. Para completar a cena ,só faltam mesmo os meninos fardados e alinhados, de olhar arregalado, com um ensaiado e rasgado sorriso, bandeirinhas (de preferência da cor do partido) a acenar e assim temos o quadro perfeito de um qualquer terceiro mundo. Se os governantes acreditam mesmo nas falácias com que nos massacram, ou já passaram à dimensão ET ou entraram numa alienação completa, que lhes não permite distinguir a ficção da realidade. O mais provável é tomarem-nos por uns pataratas tontos, que acreditamos em todas as suas patranhas. Como diria Lopes Graça, “ACORDAI!!!” n a.a.silva 2008-10-01
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