As comemorações do 31 de Janeiro
Um de Fevereiro, anunciava a rádio de mesa de cabeceira, quando hoje, mal acordada ainda, a liguei - é um hábito tão antigo que já lhe perdi as contas… Pensei imediatamente na barbaridade que foi o regicídio, acontecimento que lançou tamanha nódoa na nossa História, que ainda hoje, embora não nascida ao tempo, me confrange sempre. No dia anterior, tinham-se comemorado os cem anos da implantação da República que, inevitavelmente, se lhe sucedeu dois anos depois. A semente estava lançada e era violenta. Dos discursos da festividade do 31 de Janeiro (no Porto, porque foi lá o “trinta e um”, e com razão, devido a mais uma desfeita insultuosa dos ingleses em relação à então nossa África, uma espécie de ultimatum-pirata a exigir um peremptório “give us that; give us that!”, dos discursos de ontem, ia dizendo, nada de brilhante. Melhor o do Presidente da República, pior o do Primeiro-Ministro, que qualquer dia bem pode tirar a patente de “cassete” própria. Quando estudava em Coimbra, jovem, despreocupada, mas já atenta à política que nessa altura tinha dois “partidos”: a situação e o reviralho, os colegas universitários monárquicos que me pareceram então muito activos, mandaram-me, caloira ainda, uma “embaixada” a convidar-me a juntar-me às suas comemorações. Ainda hoje estou para perceber porquê. Naquela altura, o governo de Salazar não me parecia nem muito monárquico nem muito republicano, a vida corria-me alegre e tranquila e como em toda a papelada oficial aparecia República Portuguesa, achava muito bem. Pelo que respondi à “embaixada”: Comemorações monárquicas a que propósito? Já nasci na República e nunca me dei mal com isso!”. Negociações abortadas!… Com maior e mais documentados conhecimentos - orais e escritos - sobre a 1ª República, fui mudando de ideias. Dediquei mesmo um tempo à leitura aprofundada do que foram aqueles anos e, francamente, com os meus perdões ao “contraditório”, não gostei mesmo nada. Não virei a casaca, mas vesti-a de esguelha… Não disse eu aqui há tempos que o Chávez não era boa companhia para o nosso Primeiro-Ministro?… Por lá, já mandou encerrar umas tantas televisões que não lhe apreciavam os discursos. Com a imprensa, a mesma coisa. Se aquilo é uma democracia é bastante musculada!… Por aqui, com episódios semelhantes, embora mais discretos, qualquer dia frequentamos o mesmo “ginásio”… Diz um: o défice foi parar aos 9,3% porque eu assim decidi! Para facilitar a economia, e etc., etc., etc. A retoma ainda está trôpega mas vem aí e etc., etc., etc. Diz outro, seu subordinado: reconheço que me enganei nas contas que fiz para o défice, mas não quis enganar ninguém! O resultado é sempre péssimo. Contudo a segunda versão parace-me mais honesta!
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