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Comemorações da República

por Luisa (dra) Mello em Outubro 29,2010

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" O Portugal de 2010 proporcinou o "cenário" ideal para a "condigna"
celebração dos "ideais" de 5 de Outubro de 1910”,  concretizados nos dezasseis anos seguintes”
In “Público”- Correio


C’um caneco! Visitar 100 escolas, novas ou “recauchutadas”, a comemorar, em relação à primeira República, a “vitória” sobre o analfabetismo que essa mesma República nem tanto assim remediou, é de Homem! E é obra! Obra mesmo, porque muitas das escolas visitadas estão ainda em obras e outras são um bico d’obra, por falta de pessoal adulto indispensável para que a escola se efective. (Fachadas é que deve haver muitas…). Uma espécie do jogo do empurra: encarregam-se os municípios dos “recheios”, estes ou têm mais que fazer, ou pensam que têm, ou, se há boa-vontade, não há dinheiro. A propaganda eleitoral do governo é que tem de lá estar, “certinha e direitinha”…
Aliás, a 1ª. República, falecida aos 16 anos de vida e oito presidentes (pelo menos um repetente, se não me engano), podia lá ir com menos enfeites póstumos. Não aliviou a Economia, principiou com o assassínio do Rei, seguiu com assassínios dos próprios “compagnons de route”, dos quais destaco Machado Santos, um dos mais bravos. Já o psiquiatra Miguel Bombarda, pessoa respeitável e de apelido muito próprio às “manobras” republicanas, foi ironicamente assassinado a tiro por um doido do manicómio onde exercia o seu magistério, mesmo na véspera do “Dia D”. Será que o maluco era monárquico?! Que também os há, e ainda hoje, e é óbvio porquê…
n Deixemos os antigamente e passemos aos finalmente…
Finalmente, um dia de alegria, daqueles de lavar a alma! Lá longe, no Chile, 33 mineiros há dois meses encarcerados no interior da terra foram, uma a um, trazidos à superfície, ajudados pela vontade férrea de quem das suas vidas nunca desistiu. E das modernas tecnologias e recursos que, estes sim, nos fazem reconciliar com o novo mundo. Ontem, senti-me mãe e irmã daquele pelotão de bravos sobreviventes. E admiradora da sua profundíssima fé. E do seu Presidente da República, que durante tantas horas, ia abraçando, como se de filhos se tratasse, cada um dos “nascituros” que a Terra e as máquinas por homens inventadas para o bem, iam dando de novo à luz!

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