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Produtividade

por Armando Rocha em Julho 06,2010

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Todos os habitantes deste nosso cantinho, que têm os pés bem assentes no chão, reconhecem que a situação económico-financeira do país é péssima ou, como disse alguém que sabe da “poda”, é insustentável. E já poucos estão dispostos a dar ouvidos às “boas notícias” que o Governo vai apregoando por todo o sítio por onde passa.
Com PEC a mais ou a menos uma coisa é certa: o país está sobre-endividadíssimo mas ninguém tem a coragem de dizer como se vai pagar essa dívida… Quem vier a seguir que feche a porta…
Há dias, assisti na televisão a umas declarações em que uma conhecida intelectual da escrita pretendia rebater dois prestigiados comentadores televisivos apenas com o argumento de que agora há liberdades. Na altura, foi-lhe chamada a atenção para o facto de, mesmo em termos de liberdades, não se poder ser tão peremptório. Veja-se o caso paradigmático do Mário Crespo que, há pouco tempo, foi mandado calar… por escrever coisas ao arrepio do pensamento oficial que domina certa imprensa enfeudada ao poder. Já para não falar do silêncio a que foi votada Manuela Moura Guedes.
O certo é que a liberdade de expressão é muito importante mas também não é menos certo que só essa liberdade não permite comprar os bens essenciais à vida do Povo. E quem não sente as dificuldades no dia a dia das pessoas quando tem de pagar a mercearia, a farmácia, a renda de casa, a água, a luz, o gás, etc. etc.?
Quem levou o país a esta situação foram, em primeiro lugar, os políticos sentados nas poltronas do poder desde que o país deixou de “crescer” a taxas que se verificavam antes da revolução dos cravos.
Todos eles, a começar pelos dos abomináveis tempos do PREC! Que criaram as condições propícias a um desgoverno nas despesas da Nação, sem se preocuparem com as consequências mesmo a curto prazo. Os poucos bem intencionados que por lá passaram podiam ter feito melhor? Salvo raras e honrosas excepções, respondo negativamente porque, de uma maneira geral, os governantes, os seus adjuntos, assessores, dirigentes partidários não têm grande valia técnica. Limitam-se a “comer” política, a “apregoar” política mesmo que não tenham formação mínima, e a “governar-se” nem que seja fechando os olhos à corrupção que por aí campeia…
Felizmente que, de tempos a tempos, ouve-se uma voz a clamar contra a corrente. Foi agora o caso do Presidente da Câmara de Faro que, publicamente, se insurgiu contra a falta de produtividade dos funcionários da sua autarquia. Referiu ele que as pessoas andam insatisfeitas com a demora na resposta da Câmara aos processos que se vão acumulando em cima das secretárias e no chão… Que nunca mais chega…
Na verdade, se os funcionários andam mais preocupados com os intervalos para fumar e tomar o pequeno-almoço nas horas de serviço, etc., como é que o tempo há-de chegar para estudar os processos, alguns deles com meses/anos de atrasos?
As pessoas devem ter o direito a fumar… Mas será necessário irem para o Café/esplanada do lado, para a conversa prolongada?...
É certo que o exemplo vem de cima. E a própria Assembleia da República que é um dos exemplos de maior despesismo em termos de instituição do Estado, achou uma óptima ideia (aliás gorada por agora) a de construir uma sala de fumo para os eleitos do Povo, cujo custo era uma enormidade para um Estado que corta em tudo o que pode, mas especialmente a nível dos desprotegidos… sem poder reivindicativo.
A este respeito, seria saudável implantar muitos cinzeiros, à porta das repartições públicas, dos escritórios e das varandas, todos ao ar livre, para os respeitáveis fumadores não conspurcarem os passeios e as ruas que começam a ser um nojo de sujidade com as “piriscas” acumuladas… já repararam nisso?
Termino dizendo que não foi por acaso que uma auxiliar de educação de uma Escola de Lisboa se me queixava porque passa os dias a atender no Bar os senhores professores que, em vez de tomarem o pequeno almoço em casa, o fazem na escola a preços convidativos… E dizia ela que, com a falta de pessoal auxiliar nas escolas, seria bem mais útil que o seu trabalho efectivo fosse o de acompanhar as crianças … que são o bem mais precioso da Nação. Não será bem assim, mas…`
Foi ela, com a sua pouca instrução, que o afirmou…
Assim, com a nossa produtividade pelas ruas da amargura, não vamos lá!

Armando Rocha

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