As viagens do executivo
1 - Antigamente quem trabalhava para o Estado era considerado, e bem, um servidor da função pública. Porquê? Porque servia o Estado, o bem comum, e não se servia do Estado. Ainda hoje se pode dizer o mesmo de muitos desses honrados servidores. Mas quando esses ditos servidores atingem a categoria de políticos, as coisas mudam radicalmente. Há uma coisa de que estes últimos são ciosos: é das mordomias. E elas começam nas viaturas que são postas à sua disposição. Em primeiro lugar, são em número exageradíssimo e sem justificação plausível, em muitos casos! Em segundo lugar têm de ser autênticas “bombas”. Para quê? Para alardear os fracos ou nenhuns méritos dos seus ocupantes… O certo é que isso dá “status”… E, pior, nem se preocupam em andar de comboio… E os certo é que muitos desses senhores nem a bicicleta deviam ter direito… Mas não ficam por aqui. Se a deslocação é por via aérea, exigem classe executiva… Em oposição a esta postura, desde há muito tempo que se vê um dos homens mais ricos de Portugal viajar em classe económica, mesmo para Paris ou Londres… E o “status” não lhe cai na lama… Com algumas tímidas medidas de austeridade que o Ministro das Finanças tenta implementar, assistiu-se, nos últimos dias, a um braço de ferro com alguns dos senhores deputados que exigem executiva para irem, por exemplo, até aos Açores e à Madeira. Se o ridículo pagasse imposto, as finanças públicas não estavam tão apertadas… E, cúmulo dos cúmulos, ao que se diz, quem mais luta por essa mordomia é, nem mais nem menos, Sua Exa. o deputado que preside às finanças do Parlamento, ao recriminar o próprio Presidente da Assembleia que prescinde da executiva sem ter de o fazer, dada a sua posição na hierarquia do Estado. Só lhe fica bem, a sua atitude, Senhor Dr. Jaime Gama. Com esse exemplo, o país compreenderia os sacrifícios que lhe são impostos. De contrário, não. Atentem os senhores políticos nos exemplos que vêm de Inglaterra, em que as viaturas oficiais deixam de ser utilizadas e os motoristas passam a fazer outras coisas mais úteis à Nação. Dir-se-á: mas isto é demagogia! Será. Mas aprendi em pequeno que quem não tem dinheiro não tem vícios. E o Estado Português não tem dinheiro! Ponto final. Está antes sobreendividado, numa situação INSUSTENTÁVEL! É pena, mas é assim. Tenham juízo, senhores políticos. 2 – Não resisto à tentação de comentar uma cena passada recentemente em Joanhesburgo e que me chocou muito. Quem foi a alma desnaturada que se lembrou de recomendar a ida ao balneário de Sua Alteza a Rainha Sofia de Espanha para cumprimentar as mãos suadas dos jogadores que tinham acabado de vencer o Campeonato do Mundo? Francamente… n ARMANDO ROCHA
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