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O PEC e a Assembleia da República

por Armando Rocha em Abril 15,2010

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Tem estado na ordem do dia o PEC – Plano de Estabilidade e Crescimento. Dele se ouve falar e lê diariamente a opinião dos mais diversos políticos, comentadores, jornalistas e outros mais. PEC esse que tem sido pasto para se regalarem…
No entanto, tenho para mim que a maioria da população portuguesa não entende do que se está falando. Essa maioria só sabe é que a vida está cada vez mais difícil para quem só dispõe (até quando?) do seu parco ordenado, quando o tem, ou da reforma… Porque muitos portugueses já não sabem o que é ter salário há bastante tempo. A economia não arranca. E a hemorragia não pára…
Reconheça-se que alguma coisa tem de ser feita para endireitar as finanças públicas. E quanto antes.
Só que quando ouço a “vaca sagrada” dos economistas, Silva Lopes, dizer que esteve de acordo com as nacionalizações, mas hoje já tem dúvidas sobre o acerto da medida (que custou ao erário público milhões e milhões). E também que esteve de acordo com os “off shores” mas agora tem dúvidas. Eu fico desiludido com tanta ciência mal empregue, mas bem aproveitada pessoalmente, à frente de grandes instituições… financeiras.
Por outro lado, quando se ouvem pessoas sérias falar sobre o estado da Nação, como é o caso, aliás raro, do dr. Medina Carreira, não fico nada tranquilo quanto ao futuro próximo que nos espera. Os seus quadros ferem de morte as vozes governamentais, e seus apaniguados, que nos prometem uma vida melhor para daqui a bocado…
Eles bem tomam medidas para salvar os anéis… Mas todas elas são à custa da classe média e dos mais desfavorecidos…
Ainda agora, tive acesso ao orçamento da Assembleia da República para 2010 o qual atinge a módica quantia de 191 milhões e 405 mil euros… Ou seja, cada um dos cento e trinta deputados eleitos “custa” aos contribuintes, em encargos directos e indirectos, 700 mil euros por ano. E dei comigo a pensar: se se fizesse uma auditoria independente à produtividade da Assembleia, não seria difícil, certamente, concluir que, se se reduzisse a metade o número dos eleitos, essa produtividade não ficaria diminuída em 50%… Entre outras, as poupanças seriam da seguinte ordem de grandeza: 6 milhões de euros em vencimentos, 1,5 milhões em ajudas de custo (veja-se o escândalo da actriz Inês de Medeiros, a viajar entre Paris e Lisboa - quantas vezes ela falou no plenário?, e de Costa Neves a viajar de Castelo Branco para os Açores); 1,2 milhões para deslocações e estadas; 1,9 milhões para transportes de deputados; 500 mil em restaurante, cafetaria; 1 milhão para equipamento de informática e por aí adiante…
E não fico por aqui. Se se proibisse a acumulação de pensões de reformas com o vencimento por inteiro do exercício de cargos políticos, como é o caso do PR, e de muitos outros que têm vindo a lume… Se se limitassem a números razoáveis os salários dos gestores públicos, na EDP, na PT, na REN, etc, e que são já considerados obscenos, dava-se um passo importante para que o povo compreendesse as imposições do PEC. Mas não! Como o exemplo não vem de cima, ninguém, de boa fé, aceita essas imposições de ânimo leve.
E interrogo-me? Quantos centros de saúde não seria possível espalhar por terras onde fazem falta, com essas poupanças de alguns “tubarões”? E digo mais: se eles não aceitarem novos salários, à escala de Portugal, deixem-nos ir embora… para o estrangeiro explorar os outros…já que cá não fazem falta a não ser para dar exemplos de ganância…bem dispensáveis…
Porque aqui são eles que exploram o povo quando, por exemplo, praticam as tarifas de electricidade a preços altíssimos, para que a EDP possa apresentar lucros fabulosos no fim do ano. É que são esses lucros que “justificam” as suas obscenas remunerações, quer nos executivos quer nos conselhos de administração… O mesmo se poderá dizer para a PT, a Galp, a REN e por aí fora…
As forças partidárias que nos têm governado são todas elas responsáveis pelo estado de calamidade a que chegámos. Esta ,a dura realidade, não obstante as boas intenções e competência de uns tantos!
Termino dizendo que, por este andar, qualquer dia, nem o ouro que o doutor Salazar nos deixou está ainda no Banco de Portugal! É isso que os portugueses querem?
Abaixo a mediocridade, a ignorância, a ganância, a má fé, a exploração!


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