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A independência do Desporto

por Armando Rocha em Janeiro 07,2010

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É do conhecimento público que o Engº. Lima Bello vai abandonar o Comité Olímpico Internacional, abrindo uma vaga que o Comité Olímpico de Portugal pretende que seja preenchida pela ex-maratonista Rosa Mota.
Não resisto a desenvolver a minha opinião sobre essa candidatura mnifestada há dias neste jornal, a propósito do centenário do Comité Olímpico de Portugal.
Para além do que escrevi então, segundo julgo saber, essa candidatura foi votada, por proposta do presidente do COP, com aprovação por unanimidade dos seus membros.
E isso espanta-me, porque até já me disseram que esse voto fora dado por alguns que até nem concordavam com a escolha.
Assim sendo, porque não manifestaram a sua discordância? A razão deve ser simples de compreender.
É que, hoje em dia, há bastantes dirigentes federativos que têm assento no COP que são, para exercerem esses cargos, requisitados ao Estado - de onde provêm os seus salários. É certo que, felizmente, outros há que nada recebem e dão o seu melhor à modalidade que servem desinteressadamente.
Daí que justifiquem a sua atitude com alguns interesses instalados. Para além de não quererem por em risco o seu salário, a sua Federação vive em grande parte do subsídio estatal, que é de milhões… O Secretário de Estado do Desporto é quem tem a faca e o queijo na mão. Por seu lado, o COP tem grande poder financeiro nos apoios à alta competição.
Por trás de todo este “sistema” está o Partido que domina os fundos estatais, ou seja, presentemente, o partido socialista. Se o Secretário de Estado é socialista, se o presidente do COP se afirma da mesma área, seria precisa muita coragem para se dizer não a esse Poder.
Não se venha falar em associativismo independente porque ele, na prática, não o é. È, antes, bem condicionado.
As pessoas adaptam-se bem a esta situação e isso é que conta.
Estou em crer que a proposta da Rosa Mota vai vingar, e isso é bom para Portugal. Ela tem, em termos de imagem, dois pontos a seu favor nos tempos que correm: ser mulher, e as “quotas” contam, para além de ter sido campeã olímpica. São dois factores que sobrelevam a sua eventual capacidade interventiva, mas isso pouco importará para quem nela votou, contrariado ou não.
Sem desmerecer, repito, o valor des
portivo da Rosa Mota, que é indiscutível, e que continuo a admirar, termino confessando que ficaria muito mais confortado olimpicamente se o candidato aprovado tivesse sido o próprio Comandante Vicente de Moura. Mas era preciso que a sua vontade fosse essa e o poder instalado concordasse… sabendo porém que a sua costela socialista tem sido por vezes incómoda para esse poder…
Quousque tandem abutere, Catilina (dos tempos modernos), patiencia nostra?


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