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POLITICAMENTE INCORRECTO, NO PAÍS E EM ÁGUEDA
O ano de 2007 nem acabou mal, para O 1º. Ministro José Sócrates. Os holofotes da comunicação social iluminaram com grande brilho, o palco da sua presidência europeia, apostada em ficar na História, com a promoção de grandes eventos, como a Cimeira Europa-África e a celebração do Tratado Constitucional Europeu.
Sócrates é um sobrevivente, resta saber se também é um maratonista. Sobreviveu ao “caso do canudo”, onde chegou a ver o cargo de primeiro-ministro por um outro canudo, sobreviveu a greves gerais, parciais e sectoriais, a manifestações e petições e a escândalos de prepotência e censura exercidos pela administração do Estado, sem que disso, se notassem grandes rombos na governação, a dar crédito às sondagens. Mas o calor dos holofotes já se foi e o frio gélido do Inverno já se faz notar. Um Inverno político que promete ser longo. Sabemos que o nosso PM gosta de correr, resta saber se tem fôlego para tão longas corridas…
Política nacional
Sócrates quer ficar no História. Como Sócrates, o Reformador. Mas falta-lhe paciência. No seu afã de tudo querer fazer rapidamente e em força, ignora os tempos de cozedura e as agendas de acção, indispensáveis ao equilíbrio e estabilidade e esquece o povo a quem são destinadas as reformas. A palavra comunicação, no seu léxico, significa propaganda. A palavra diálogo, no seu dicionário, não excede os limites do monólogo. Paradigma de excelência de tais métodos, é o seu ministro Correia de Campos, a fechar urgências e blocos de parto com um frenesim sem prazos e ignorando as populações afectadas, com a surda delicadeza dos iluminados. Resta-nos a consolação de ver, finalmente, as contas públicas em ordem, embora à custa das classes médias e do funcionalismo público, a racionalização do sector público do Estado, com claros aumentos de produtividade e eficácia e uma maior eficácia no combate à evasão fiscal. Nota positiva, por isso, para Teixeira dos Santos. A política é como um dominó. Quando uma peça cai para um lado, todas as outras seguintes caem em cadeia, para o mesmo lado. O PS caiu para a direita e a direita, por falta de apoio, foi caindo. E viu-se, neste ano que ora termina, os reflexos dessa viragem. O pobre do Marques Mendes, roubado que lhe foi o discurso, viu-se a falar sozinho e teve que sair… pela porta pequena. E deu a vez a outro, um vice-rei sem norte, à procura do sul. Um Menezes à procura de si próprio, sem pedalada para tais andanças. Que trouxe consigo, à boleia, Santana Lopes, que já conhece os roteiros deste rali e promete não se perder no deserto. Quem se fartou do deserto, foi Paulo Portas, que, sedento, lançou Ribeiro e Castro às feras e voltou ao leme do CDS. E veio com um novo discurso, contra-maré, centrão e sem proveito. Mais um caso de jogador que muito prometeu…
Política de Águeda
O dominó da política nacional também chegou a Águeda. O PSD, já debilitado com umas contas camarárias mal resolvidas, não resistiu à leve brisa socialista que soprava de Lisboa e caiu, com fragor. E anda por aí, deprimido, a fazer de conta que é oposição, a passar a bola de pé, para pé, consumada que está a derrota, à espera do apito final. A bola, na altura em que escrevo, foi passada pelo centro-campista Gil Abrantes para o defesa lateral, Parada Figueira… e ainda nem sequer chegámos ao intervalo!!! O PS local, ainda à procura do seu umbigo, viu-se, com surpresa, com a criancinha do poder nos braços. Virgem de pecados antigos e carente de tecnocratas, vai fazendo pela vida, ainda a tarimbar os trilhos que o levem ao sucesso. E o povo espera… Como espera a restante oposição, da direita e da esquerda, tristes folhas caídas nesse seu eterno Outono. Folhas que só se levantam, em breves volteios, num arremedo de vida, quando sopram as trombetas de Lisboa, em épocas de revoada eleitoral. Para, logo a seguir, voltarem a cair, naquele sono comatoso de mortos-vivos. E assim termina o ano. O ano de 2008 não promete melhores dias. Haja fé! A bem da Nação.
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