Tal Sporting Clube tal Clube de Portugal
Talvez não seja bem assim, mas para lá caminha… O Sporting à beira da bancarrota, ansioso por um qualquer FMI que o aguente às máquinas por mais algum tempo e o José Eduardo Bettencourt demissionário. Também temos um Portugal à beira da bancarrota, a caminhar rapidamente para as goelas do FMI e do eufemístico Fundo de Estabilização Financeira e um Sócrates a prazo. Mas as comparações não se ficam por aí. As causas da putativa derrocada do Sporting, têm a ver com um certo senhor, chamado José Roquete, banqueiro de Excelência e antigo presidente leonino. Esse senhor, afectado pelos últimos gritos da moda financeira, inspirados pelos gurus de Wall Street, do Finantial Times e também por alguns gurus locais (já falarei deles), teve a felina ideia de retalhar o património sportinguista, fosse ele uma gasolineira ou a Academia, e ir vendendo, ao preço possível, todos aqueles bocadinhos, a quem desse mais. A ideia, era arranjar dinheiro a todo o custo, para a grande aposta desportiva. Foram-se os dedos, na esperança de ficarem os anéis e, quando se deu por ela, nem anéis, nem dedos por onde os meter. Vendeu a galinha dos ovos de ouros, ficou sem os ovos, sem a galinha e sem o dinheiro. Naquela linha de sucessão monárquica (sempre foi um clube de sangue azul), acabou por lhe suceder Bettencourt, que, logo se viu, não tinha jeito nem perfil para aquelas andanças. Desde o descobrir Henrri Batassuna nas entranhas do seu Leão, às promessas de um Paulo Bento “forever”, desde a contratação como director desportivo daquela fera a quem os humanos baptizaram de Sá Pinto, até à sua substituição por um “ministro” pouco dado aos subtis contornos da diplomacia, de nome Costinha, que teve, rapidamente, de ser neutralizado, colocando um segundo galo naquela capoeira desatinado, tudo foi um fartar vilanagem. Um Bettencourt bem avisado, que eu bem lá vi o guru João Duque, ao seu lado, no camarote presidencial, naquele jogo de todas as decisões. Para quem não o conhece, o senhor Duque é um renomado economista, professor catedrático e que advoga que a excelência do Estado é inversamente proporcional ao seu tamanho. Em resumo: o Estado seria óptimo, se não existisse. Um senhor que considera insuficientes o cortes feitos na função pública e que, se fosse ele, cortaria e de uma só vez, 30%! É obra! E os custos sociais? gemia ainda o jornalista. “Que vão para lá para fora berrar, que o maná não cai dos céus!”, vociferou o profeta! Um mete dó! Comparando, o que vemos? Uma das causas determinantes deste estado caótico a que o país chegou, deve-se a esta estrambólica e criminosa política do disfarce, a que chamam, pomposamente, de engenharia financeira. Para grandes obras, que deixam marca e eternizam ministros, é necessário dinheiro e se é necessário, arranja-se! Isso implica deficites? Não há problema, retalham-se empresas públicas e vendem-se ao desbarato. Não chega? Antecipam-se dividendos… Insuficiente? Abocanham-se fundos de pensões da PT e quanto aos custos futuros logo se vê… O que interessa, são os resultados políticos! Tal e qual Bettencourt com o Bento “forever”, também Sócrates clamava: “Aumento de impostos, jamais!”. Tal como Bettencourt, Sócrates foi queimando ministros na fogueira da Educação, da Agricultura e das Obras Públicas. “Aeroporto na margem Sul? Jamé!”, jurava Lino, com Sócrates a aplaudir! Para que as semelhanças os confundam nos seus destinos, falta acertar a data do óbito político de José Sócrates. Mas isso é mais difícil, porque ninguém o quer tirar de lá! Um mete dó! Dizem que a História não se repete, mas quero crer que não é assim. Escrevia Eça de Queiróz em 1872: “O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam e deputados que não legislam. Paga tudo, paga por tudo e, como recompensa, dão-lhe uma farsa”. Lá teria a sua razão el-rei D. Carlos, quando do nosso País, assim se referia: “Um país de bananas, governado por sacanas”. n NELSON LEAL
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