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Demita-se, sr. 1º. Ministro

por Nelson Leal em Novembro 02,2011

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Nicolau Santos, na sua habitual coluna do semanário “Expresso”, desnudava a alma, com estes termos: “Sr primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes”. Também eu, senhor Primeiro-Ministro. Só me apetece rugir!...
O que o senhor fez, foi um roubo! Um roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o país!
Invoca que as medidas são suas, mas o déficite é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento. O déficite já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava, então, aos pescadores para não pescarem,  e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um país numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O déficite é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias. E você é o herdeiro e o filho predilecto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus…
Mas o senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excepcional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado.
Diz o sr. 1º. ministro que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao trabalho e
pela defesa do capital financeiro.
Outro embuste.
Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: desemprego,  recessão e déficite ainda maior. Pois o senhor, incauto, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem economia, não há finanças, deveria saber. Com ainda menos economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai buscar receitas para corrigir o déficite? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego?
O senhor teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas!
 Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto. Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes (!!!) superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas.
Outro exemplo: as parcerias publico-privadas, grande sugadouro das finanças públicas.
 Outro exemplo: dizem os estudos que, se cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas a desfiar exemplos e o sr. 1º. ministro não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para salvar Portugal!
Diz Boaventura de Sousa Santos que o senhor 1º. ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças.
Concordo!
Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio de Merkel e de Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um mestre, de um líder, com uma ideia e um projecto para Portugal. O senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim.
Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.
n Nelson Leal


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