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Retrato do Pai

por Manuel Armando (padre) em Maro 15,2013

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Quase nem me atrevo a falar acerca do pai, não porque duvide da eficácia da sua existência e vida, mas pelo facto de, hoje, não sabermos bem a forma de abordar e explicar, sem ferir as susceptibilidades dos mais pequenos, o conceito e papel fundamental da figura paterna numa sociedade destes tempos em desvairada mudança.
Durante o seu crescimento na esfera do físico, moral e anímico, as crianças vêem-se confrontadas com a desconfiguração daquele que, em princípio deveria aparecer como o esteio da família. Ora, na contextura destes nossos dias, a permissividade banaliza e descaracteriza quaisquer parâmetros de uma vivência sadia, mormente no que diz respeito aos agregados familiares.    
Deparamo-nos com a inocência dos pequeninos que, por completo baralhados e intranquilos, nos apresentam a ideia segura e firme de terem “dois pais”: - um, o biológico, com quem se encontram em algumas horas e lhes dá brinquedos e o outro, o que “apareceu” lá em casa e traz o pão.
E assim vão crescendo desequilibrados com a noção descentrada do eixo vital, numa humanidade a rumar para o total descalabro.
Não significa isto a ausência dos demais que assumem, na hombridade, suas liberdades e tarefas com dificuldades, embora. Ainda que nem tudo seja mau nestes reinos das arábias, contudo experimentamos com muita insistência a recordação saudosa daqueles períodos, não muito longínquos, quando a família distinguia bem os seus membros pelas suas respectivas funções e obrigações de convivência e inter-ligação.
Também, mesmo agora, uma parte da sociedade vai subindo em consciência preocupada de preservação dos valores que, mesmo enquanto tradicionais, são baluartes de uma comunidade onde os seus membros supõem e exigem respeito e responsabilidade comum.
A estrutura e ambiência sociológicas parecem querer construir irracionalmente as turbulências que nos envolvem a todos.
Assim, ao homem, pai de família, que se esforça por conservar a verticalidade no ambiente do seu lar e neste mundo em transformações, aqui lhe dedico o preito da minha homenagem com este simples poema, nascido da contemplação de alguém que muito marcou os passos de todo o meu próprio crescimento.

Retenho na minha memória
A saudosa história
Daquelas mãos calejadas,
Castigadas
Pelo amargo trabalho de cada dia,
Amassando a dor
Com a alegria do amor
E limpando as gotas do suor
Que na fronte escorre,
Como camarinhas pesadas,
Envinagradas,
Por uma família que não morre.

Pela manhã,
Ainda bem cedo,
Sem preguiças nem medo,
Mas de alma aberta
Num enorme ardor,
Vence, com o afã
E calor
Do seu coração,
Caminhos e vielas,
À luz das estrelas,
Na busca do pão.
    
Olhando para trás,
Sem desanimar,
Começa em paz
A trabalhar.

Ao fim do dia
Confunde o cansaço,
Pela ansiedade
Dum abraço
Na felicidade
Do lar
E, quase sem pensar,
Apressa o passo.

Quando chega a casa,
Fazendo os olhos em brasa,
Eleva suas preces aos Céus;
Agradece, penhorado, a Deus
A vida, a tranquilidade e harmonia
E, do fundo, com inebriante melodia,
Um amoroso soluço lhe sai
Porque sempre, mesmo na agrura,
Sente e revive a doçura
De se saber Pai.


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