Que fazer (na atual situação política)?
O PS saiu, com o estandarte do uso e do abuso do poder, a meia haste. Mas o que vem a seguir não indicia tempos mais bonançosos, nem desempenho político mais eficiente. Bem (ou mal…) pelo contrário. A realidade obriga a reconhecer (de mãos dadas com a transparência) que a demissão de Sócrates foi mal recebida pelos dirigentes máximos da União Europeia (Madame Merkel, o presidente Sarkozy e o Primeiro Ministro Britânico) que chamaram vivamente a atenção do Primeiro-ministro Português para o perigo que para nós representam as diversas e contraditórias tomadas de posição face à Europa que por sua vez parece unida contra Portugal. Efectivamente as mesquinhas ambições políticas dos nossos dirigentes empurram-nos para este beco sem aparente saída. O Governo Socialista (?) é corrido pelo parlamento português entre outros motivos por se recusar a pedir a intervenção do FMI enquanto as oposições votam no mesmo sentido mas invocam argumentos contrários na medida em que proclamam que deveríamos aceitar a intervenção externa a bem e para salvaguarda do interesse nacional. Significa que para deitar o Governo abaixo a direita une-se contra esta e aceita os votos daquela … Toda esta trapalhada em nome e para salvaguarda do interesse nacional… Comentar para quê? Recebido com júbilo e foguetório alheio, o Primeiro-Ministro de Portugal acabou por ser acolhido de dentes cerrados pelos seus compatriotas ao chegar a Lisboa… É a política do “bota abaixo”, do fim da monarquia e princípios da República. Tomando como exemplo a pergunta formulada por Lenine - Que Fazer? - que procurou encontrar o rumo mais conveniente para a Revolução de Outubro e acabou por mergulhar a Rússia num caudaloso rio de sangue, também Passos Coelho, poderá conduzir Portugal, não, certamente, por um caminho de violência, mas para uma dolorosa experiência sócio-política capaz de pôr em risco e em causa os seculares alicerces que têm sustentado a comunidade portuguesa. Que fazer? Chega a dar vontade de responder que talvez o menos mau seja não fazer mesmo nada… Mas falando sério, concluirei que o caso PSD não consiga chegar á maioria absoluta poderemos encontrar-nos numa situação grave cuja saída não parece fácil de descortinar. MJHM
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