E agora?
Quando este número da Soberania do Povo chegar às mãos dos leitores, já se há-de conhecer o resultado das eleições nos Estados Unidos da América do Norte. Mas eu estou a digitar esta crónica dias antes, pelas 19 horas de sábado, dia 1. Embora corra o risco de não acertar, achei engraçado prestar-me a esta antecipação, que me pareceu interessante e sem nenhuma consequência, seja qual for o veredictum dos eleitores norte-americanos. Vejamos as hipóteses: ganham os republicanos, com o senador Mcain novo presidente, ou os democratas, com o senador Barack Obama à cabeça, hóspede da Casa Branca. Mas pode ganhar o candidato presidencial republicano, ficando os democratas com maioria no Senado e na Câmara dos Representantes ou ser eleito Obama, mas sem maioria no Congresso, seja no Senado seja na Câmara, ou vice-versa. Como se vê, uma infinidade de hipóteses. Se não fossem os norte-americanos a eleger se não os democratas mas pelo menos o respectivo chefe de fila (Obama) saíria vencedor folgado. O mundo é «obamístico»… Mas, estando a eleição nas mãos dos cidadãos norte-americanos, pode acontecer que o resultado (ou os resultados) sejam diferentes. E não restam dúvidas que o futuro será diferente, consoante ganhem uns ou outros. Daqui, o imenso interesse suscitado pelas eleições estadonienses, atendendo à posição determinante que ocupam no tabuleiro do xadrez internacional. Pessoalmente, agradar-me ia a vitória de Obama, embora a figura e o perfil do adversário também me sejam simpáticos. A idade de Mcain não deixa de provocar alguma preocupação, bem como a inexperiência de política externa de Obama. Mas, seja um ou o outro a vencer, nada continuará a ser como até agora. Entre a experiência e a juventude, dá vontade de pender pela primeira, mas nada está decidido no momento em que escrevo, embora o senador democrata parece ter mais probabilidades de sair vencedor. A verdade, porém, é que quem elege são os que votam e não os que respondem às sondagens, sondagens que têm falhado vezes sem conta. Não esqueçamos o célebre telegrama de felicitações enviado por Truman ao seu adversário Dewy, considerado como pré-eleito quando acabou por sair derrotado, e Al Gore, que obteve mais 400.000 mil votos que Bush e… foi este o vencedor. É que, nos Estados Unidos, o voto é indirecto. Os eleitores votam naqueles que hão-de eleger os titulares dos cargos e não nos que irão desempenhar as funções. Essa de um voto por e para cada homem, não é não é bem assim. Em suma: mais complicado do que poderia parecer.
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