O lançamento de uma candidatura
Embora não pareça, a verdade é que já falta pouco para chegar o termo do segundo mandato presidencial do prof. Aníbal Cavaco Silva A velocidade do decurso do tempo é de tal monta que não damos pelos dias, pelas semanas, pelos meses, pelos anos, até pelas décadas que passam. Num ápice, estamos amanhã, quando ainda não passámos de hoje. Uma espécie de modesto, embora atrevido, plágio da Lei da Relatividade de Alberto Einstein... A estonteante velocidade do tempo rivaliza com a da luz. Relativamente, está bem de ver… Vem isto a propósito (mas também a despropósito …) da cominação constitucional que em diversos países, entre os quais o nosso, limita a reeleição do respectivo Chefe do Estado a dois mandatos consecutivos. Ora, como é sabido, o actual Presidente da República encontra-se abrangido por aquela disposição, dela resultando a impossibilidade de se recandidatar. O que significa que, embora a eleição só se realize daqui a pouco mais de três anos, quando chegar o momento, qualquer português, cidadão originário, maior de 35 anos, no gozo pleno dos direitos cívicos, poderá candidatar-se a hóspede do palácio de Belém. Perdão. Qualquer, não. Todos, menos o prof. Cavaco Silva, pelo motivo acima referido. Daqui resulta que o período de tempo que decorre a partir de agora, até ao termo do quinquénio, enseja a possibilidade de apresentação de candidatos, por assim dizer sem colocação privilegiada. Isto é, sem o benefício decorrente de uma “pole position”. Soberana oportunidade para uma escolha livre, independente, ponderada, criteriosa. Uma escolha que represente o início de um novo ciclo, o novo ciclo político destinado a transformar Portugal. O novo ciclo de que carecemos como de pão para a boca. Ora, nestas circunstâncias, a escolha de quem venha a ser o sucessor de Cavaco Silva tornar--se-á mais delicada não pela escassez mas pelo excesso de potenciais candidaturas. A exemplo do que se diz no Novo Testamento, muitos serão chamados, poucos os escolhidos. Permitirá esta circunstância que o próximo Chefe do Estado seja - tanto quanto possível - o melhor entre os melhores, independentemente dos condicionalismos resultantes do nascimento, da raça, do credo, etc. Para que assim possa ser seria bom, mesmo muito bom, que o eleito, ou a eleita, fosse alguém que gozasse do respeito geral, sendo honesto até dizer chega, impermeável à intriga política (vulgo «politiquice») e devotado ao bem comum. A possibilidade de termos ainda algum tempo até que o actual mandato se conclua permitiria (ou permitirá) proceder ponderadamente à escolha de quem mais apto se revele para o exercício da suprema magistratura. Na realidade, o tempo que falta pode parecer folgado. Mas não é. Tardará pouco para o despontar da Primavera. Alguém disse um dia que considerava bem aventurados os povos que não têm que escolher. Nada mais errado. Nada melhor do que poder escolher. Mas escolher bem. Se a politiquice for vencida pela objectividade, já teremos candidato: GUILHERME DE OLIVEIRA MARTINS. Estou convencido que não será fácil encontrar outro que reúna melhores condições. Obviamente que tenciono voltar ao assunto ainda que sem propósito intervencionista. Na idade a que cheguei, careço é de descanso e bom trato… n MJHM - Director Honorário SP
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