O Centenário da República
Praticamente sem pompa nem circunstância, o país tem comemorado o centenário da proclamação da República com a modéstia que só não é surpreendente porque a efeméride não merece maior realce. O número dos que participaram – e parece que continuarão a participar – nas festividades oficiais não deverá ser superior aquele punhado de revoltosos que em 5 de Outubro de 1910, a partir da Rotunda do parque Eduardo VII vieram proclamar o novo regime da varanda dos Paços do Concelho da cidade de Lisboa. Uma vez mais haverá que reconhecer que não foram os republicanos que derrubaram o secular regime que governou Portugal desde a proclamação de Afonso Henriques, mas os próprios monárquicos que se auto-destruíram. A República “nasceu” por culpa dos monárquicos, não por mérito daqueles que desejavam proclamá-la. Significa isto, tudo isto, que os nossos problemas não são de regime mas de capacidade política e administrativa. Tanto a república como a monarquia têm as suas virtudes e os seus defeitos. O que é necessário é governar bem. E é dessa boa governação que carecemos. Afigura-se-me, entretanto, que, à medida que o tempo, decorre vai-se tornando cada vez mais obsoleto o sistema monárquico porque não parece razoável continuar a entregar a representação nacional a uma família, aliás no caso português de origem bastarda, família essa cujos serviços prestados ao país, pouco ou nada, tem de assinalável. O nascimento é fruto do acaso. O acaso, fruto do nascimento. - APOSTILA: Excelente a prestação televisiva do meu ”candidato não candidato”, Oliveira Martins. As probabilidades são pequenas. Mas é das surpresas que brotam as grandes descobertas. Não é verdade, Arquimedes? Não é verdade, Fleming? Quem diria que da «rodagem» de um carro sairia um futuro chefe de Estado? n mjhm - Director honorário SP
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