“Os liberais definiram geralmente a monarquia constitucional como a melhor das repúblicas, combinando o princípio da igualdade e o da soberania nacional com o respeito prudente pela tradição dinástica e católica, de modo a não suscitar reacções. Mas a monarquia era ainda a melhor das repúblicas, porque todos os seus governantes, desde a Regeneração de 1851, se esforçaram por integrar e contentar a esquerda democrática radical. A cultura política da monarquia sofreu desta forma uma evolução no sentido da republicanização, especialmente no tempo de Fontes Pereira de Melo”1. Nesse contexto, escrevia em 1886 o republicano Consiglieri Pedroso: “ (…) Em Portugal, desde os ministros da Coroa até ao último dos regedores, tudo é republicano… em teoria. (…) Todos esses republicanos teóricos são monárquicos na prática, por questão de oportunidade, segundo eles próprios o afirmam. Mas o certo é que o sistema lhes não repugna, porque, sem rebuço, confessam ser ele o mais consentâneo com a dignidade do cidadão e com as exigências da civilização moderna” 2.
Constitucionalmente, os poderes de chefe dinástico limitavam-se à função moderadora, constando até que D. Carlos dizia ser Portugal uma monarquia sem monárquicos e outros admitiam que a monarquia constitucional era até a melhor das repúblicas pois não passava de uma república com um rei. Realmente, o regime que existia em Portugal nos derradeiros anos do século XIX já nada tinha a ver com a monarquia existente antes do liberalismo. A degradação das instituições, por força da inépcia governativa dos partidos monárquicos, das suas múltiplas cisões e da venalidade de líderes e clientelas, abriria caminho aos republicanos.
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