Possivel improvável (porventura) desejável
Enquanto começam a formar-se e a agitar-se as ondas políticas provocadas pelas próximas (?) eleições presidenciais e surgem, acolá e além, a indicação dos primeiros nomes de candidatos à candidatura, consoante a ambição, as relações e os prognósticos de cada candidato e dos seus potenciais apoiantes, vasculham-se as gavetas e puxa-se pela memória, no intuito de conseguir retirar dos escaninhos mais recônditos o nome, ou os nomes, dos sempre numerosos pretendentes ao palácio de Belém. Como toda a gente sabe (não é verdade; são muitos a ignorá-lo...) os Presidentes da República eleitos por sufrágio directo têm renovado os respectivos mandatos, segundo o estatucionalmente previsto na Constituição; ou seja, cinco anos seguidos, por duas vezes - como aconteceu com Eanes, Soares e Sampaio - não sendo de estranhar que a “regra” continue em vigor com o actual. Mas precisamente por ser “regra” é que poderá conter uma, pelo menos uma, excepção. Sendo a presidência um fardo (apetecia-me escrever «uma chatice») e o actual Chefe do Estado avesso a cerimoniais e mesureirices protocolares e reconhecendo toda a gente que, mau grado o respeito em que é tido o prof. Cavaco, tudo visto e ponderado será perfeitamente possível - tendo para mais em conta a grave crise que o país atravessa - que não queira recandidatar-se. POSSÍVEL, IMPROVÁVEL (porventura) DESEJÁVEL. Tomemos, então, como hipótese - ainda que sem convicção - que não haverá recandidatura. Quem seria, nessa circunstância, o postulante ideal para ocupar a Suprema Magistratura? +++++ Um dia destes, almoçava eu tranquilamente num restaurante da baixa lisboeta, a convite de um amigo, sendo, ao todo seis os comensais, eis senão quando vem à colacção - de estranhar seria se não viesse... – o imbróglio político em que nos encontramos. Se eu fosse daqueles que gostam de se enfeitar com penas de pavão, adiantaria agora ter sido meu o palpite que vou desvendar aos leitores. Mas não. Quem sugeriu o nome que acabou por ser consensual foi o anfitrião, director da Soberania do Povo, António Silva. Quem será, então, essa «avis rara» capaz de preencher e exercer mais do que a contento a Chefia do Estado? Feliz, ou infelizmente, não serão muitos os “seleccionáveis”: mulher ou homem, a pessoa certa para o lugar certo há-de ser sério, até dizer chega, competente, conhedor da administração pública, politicamente tão independente quanto possível, nível cultural bem acima da média; bom “trânsito”, quer nos docentes quer nos discentes; folha de serviços exemplar - seu nome OLIVEIRA MARTINS. Cargo que neste momento desempenha: Presidente do Tribunal de Contas.
Os “defeitos” a superar: maior cordialidade e bonomia, óculos mais modernos e menos “pesados”. Poucas “exigências“ e alterações para a alta classificação. Em linguagem mais corriqueira, diria que deverá ter “muita uva e pouca parra” merecedora tanto do MÉRITO ABSOLUTO como do RELATIVO. n MJHM - Director honorário SP
Apostila Sinto-me no dever - e faço-o sem o mais leve constrangimento - de pedir desculpa a quantos possa, aliás sem a menor intenção, ter sensibilizado, melindrado ou mesmo ofendido por na segunda e última entrevista que concedi à revista TABU, apêndice do semanário SOL, ter podido dar a impressão de tratar com menos cortesia todos aqueles que considerei “burrinhos” por não haverem sido capazes de vislumbrar o erro descomunal que representaria a política ultramarina seguida por Oliveira Salazar se fosse levada até às últimas consequências, como desgraçadamente aconteceu. Não está nem na minha maneira de ser, nem na educação que recebi, tratar mal quem mal nenhum me tenha feito, muito menos membros da família, ainda por cima já falecidos, pelos quais sempre manifestei a mais alta consideração. Mesmo que para ofender alguém seja necessário o «animus injuriandi» que não houve nem podia haver, peço humildemente desculpa pelo equívoco que causei. n MJHM
1936 vezes lido
|