Farto e Perplexo
De cada vez que somos chamados a exercer o direito de voto, no intuito de escolher quem se afigura mais apto para governar, a actividade política dá mostras de efervescência, tal como acontece com os vulcões, quando se preparam para entrar em actividade. E se em política quase sempre o que parece é, no que respeita à actividade telúrica sucede o contrário: o que parece acaba por não ser. Ou seja: a terra treme, a lava até então adormecida torna-se incandescente mas só de raro em vez acaba por se concretizar a ameaça de erupção, o que, em linguagem popular, se poderá resumir ao conhecido provérbio «tudo como dantes quartel general em Abrantes». Ora, a crise política que tem envolvido o país nestes últimos meses, apesar de grave, está ainda por definir. Ainda é cedo para sabermos o que dela resultará: se tomará um rumo catastrófico, de consequências imprevisíveis e irreversíveis, como parece ser o temor da maioria dos cidadãos, ou se não passará de uma tempestade, não diria num copo de água mas numa banheira de imersão… como ainda acreditam alguns. Seja todavia como for, a verdade é só uma disparada à queima roupa com tiro certeiro de pólvora-seca: O PAÍS ESTÁ FARTO. Farto de ser desgovernado. Farto de ser iludido. Farto de ser espezinhado. Farto de ser vítima dos contos do vigário. Farto dos mesmos dirigentes. Farto da mediocridade. Farto dos boys do PS em exercício e farto dos boys do PSD em gestação. Farto. FARTO mas também perplexo. Porque sabe que vai por muito mau caminho mas não sabe como evitá-lo. Perplexo, por ouvir dizer mal sem conseguir saber como vencer a crise. Farto e perplexo. De mal a pior. E sabemos todos que a repetição da História é um dado imutável que conduz ao mesmo lugar pelo mesmo caminho. Talvez seja possível evitar a catástrofe mas não vai ser possível vencer o sub-desenvolvimento. Cada vez mais distanciados da teoria do Fim da História, de Francis Fukuyama, estamos cada vez mais perto da proximidade da incompetência e do imobilismo. n MJHM - Director Honorário SP Apostila. Alguns fieis leitores indagaram de mim. Obrigado. Cá vou continuando, só não sei até quando. n MJHM
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