A revisão Constitucional
A apresentação da proposta de revisão constitucional elaborada e apresentada pelo presidente do PSD não poderia deixar de suscitar dúvidas e inquietações. Mas mesmo que assim seja - e eu creio que é - a verdade é que a decisão de Pedro Passos Coelho deu ao seu partido a primazia da iniciativa política desde há anos nas mãos do PS. Na política, não há leis imutáveis, ao contrário do que sucede com a natureza. Todos sabemos - os que queiram saber - a que horas nasce e se põe o sol, quando há eclipses, a hora das marés, a posição de cada astro visível no firmamento, a distância exacta a que passam os cometas e a hora em que tal acontece, etc, etc, mas não somos capazes de saber se amanhã, ou depois, ainda estaremos vivos ou se este ou aquele caudilho permanecerá no Olimpo, ou se já se estatelou na Rocha Trapeia. A ciência dá-nos certezas. A política, hipóteses. Como o direito. Ou a metereologia, que, apesar de ser obra da natureza, não consegue descortinar as condições atmosféricas por mais do que uns quatro ou cinco dias. Quer isto dizer que nem tudo é certo quando manejado pelo homem e que nem mesmo há certezas absolutas, quando se trata de obras da natureza. Ora que o país está carecido de alguns ajustes constitucionais, bastará atentarmos no reboliço que para aí vai; que não podemos ter a certeza do resultado da proposta do PSD, é tão certo como dois mais dois serem quatro. E não parece menos seguro que as coisas melhorem com as alterações que venham a ser introduzidas ou que os males ou os defeitos não resultam dos textos mas dos homens. E os homens não se mudam. Regeneram-se. n MJHM - Director Honorário SP
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