A Assembleia Municipal e os favores políticos
Se em tempo de “vacas gordas” e farto orçamento se exige que a política seja urbana e limpa na boa utilização dos dinheiros públicos, na equitativa distribuição dos recursos e numa ousada estratégia de desenvolvimento, mais atenção e cuidado deve ter, quando a crise aperta, está para durar e atinge e esmaga largos sectores da população. Vem Isto a propósito da última Assembleia Municipal de Águeda, onde vieram a lume, mais uma vez, situações de favorecimento na prestação de serviços à autarquia, envolvendo milhares de euros e para os quais não houve, da parte de quem cabia prestá-los, os necessários, prontos e completos esclarecimentos. Os vícios, esquemas e proteccionismos minam a Democracia, não dignificam a política e põem a nu a fragilidade do quotidiano do seu exercício, num desrespeito pelos cidadãos e na desconsideração por princípios e valores que, a nenhum título, deviam ser postos em causa, conduzindo a um irreversível plano inclinado de desconfiança, sem retorno ou cura possível. A política tem um “tempo útil” para se explicar e um lugar próprio para o fazer. Adiar respostas ou refugiar-se atrás de cortinados não são condizentes com a cultura democrática, que por aí muito se apregoa, mas tão pouco se pratica. Arrastados assim por este caminho, o debate em Assembleia Municipal das grandes áreas estratégicas do concelho, vai sendo secundarizado e abordado em “diagonal”, já num mar de desconfiança, muitos desencontros e nenhuma paciência. Chegados ao outono, vem aí o inverno. Oxalá a mãe-natureza seja benevolente, tenha compaixão por nós, não traga grandes cheias ao rio Águeda e a borracha do açude-ponte, escape à força das suas águas. Haja fé, Beatriz, que bem precisa é, nesta altura! n JNS
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