As bases e as cúpulas do PSD de Águeda
Há quem diga que o PSD local anda há anos desavindo, sem coordenação estratégica no seu trabalho político, votando, quando chega a hora, cada um para o seu lado. E, se dúvidas houvesse de que assim é, bastaria passar os olhos pelas actas da Assembleia Municipal, onde é raro encontrar a unanimidade entre os sociais- -democratas. Habituado durante décadas a ser o poder executivo autárquico em Águeda, o PSD ainda não encontrou o caminho do “ser oposição”, liberto dos velhos tiques do autoritarismo e erros passados que a história autárquica não pode apagar. Mas se regressar ao poder camarário não é uma pressa, o PSD, enquanto organização que esteve à frente dos destinos do concelho quase 30 anos, não deve permitir-se, por muito mais tempo, continuar a dar o “espectáculo” de falta de estudo dos problemas concelhios e apresentar-se numa total ruptura na tão crucial e necessária coesão política dos seus eleitos. A política é, cada vez mais, um trabalho colectivo, de informação, debate e procura de soluções. E se estar no poder é uma responsabilidade, ser derrotado em eleições e afastado do comando autárquico obrigaria, a uma reflexão crítica do que correu mal, numa prática de transparência pública, onde a moral e a ética são valores primeiros a defender. Porque não há que ter medo da crítica e da auto-crítica, quando o que está em causa são o interesse público, o exercício da Democracia e a procura “e construção do desenvolvimento da nossa terra. Se os Presidentes da Junta do PSD, em Assembleia Municipal, andam afastados dos seus líderes partidários concelhios, é porque não são “yes man”, não entendem certas decisões das chamadas “cúpulas” locais e tem um compromisso, em primeiro lugar, com os seus conterrâneos. E isso acontece quando os dirigentes se afastam das bases e entram nos chamados “esquemas” de poder, onde os eleitores contam pouco e a política serve para interesses pessoais. Se é legítimo o objectivo do PSD em regressar ao poder, em Águeda, alguma coisa tem de profundamente mudar neste desnorte em que parece mergulhado. Infelizmente, não beneficia o concelho com isso e só o PS local esfrega as mãos, na mira de um terceiro mandato, daqui a dois anos. Boas aulas, Beatriz! n JNS
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