Aprender a ser poder
Muito hoje se fala da necessidade dos cidadãos participarem na politica da sua terra, acompanhando o trabalho dos órgãos eleitos e contribuindo na discussão e procura das melhores soluções e caminhos a seguir. A expressiva abstenção que se tem verificado nos actos eleitorais - mais de 50% - espelha bem o desinteresse dos eleitores e a pouca fé e expectativa nos candidatos que se apresentam e nas promessas que apregoam levar a cabo. Águeda, a nossa terra, não foge à regra. Importaria, assim, que entre eleições, eleitos e eleitores criassem condições de diálogo, numa séria e consequente afirmação de que o município não é refém de meia dúzia de iluminados e precisa de se envolver com a comunidade - ouvindo opiniões e criando confiança, juntando forças, concretizando objectivos. A política também é uma arte no saber ser poder. E aprender a ser poder precisa-se, entre nós, num poder local que tem vivido há anos - ao nível da Câmara e Assembleia - em guerras intestinas e que mancham perigosamente a publicitada “excelência do município”, que se desejaria que existisse e fosse verdadeira. Infelizmente, as notícias não são animadoras. A Câmara Municipal do PS mantêm nos seus quatro elementos a totalidade da governação do executivo - não atribuindo aos três vereadores do PSD qualquer pelouro e reduzindo-os ao encargo das senhas de presença. A Assembleia Municipal, de presidência socialista, dá sinais de ter aí a sua única diferença: mantém o mesmo formato, perde-se na estéril discussão regimental e trata pela “rama” assuntos que deveriam merecer estudo, atenção e resposta política eficaz. A Assembleia Municipal de Águeda da última 6ª.-feira, 26 de Fevereiro, não augura nada de novo: o PS continua a solicitar ao Ministério Público a averiguação sobre irregularidades em obras, do tempo do PSD, e estão a caminho inquéritos sobre pagamentos indevidos a funcionários e que ascendem a 300 000 euros. Neste ambiente político, o PDM, o QREN, as obras e as verbas, dificilmente sairão dos panfletos da campanha eleitoral e o concelho secundarizar-se-á, em definitivo, encostado a uma qualquer das novas regiões que aí vêm. E seria uma pena que tal acontecesse: sem identidade, poder e influência, a política em Águeda, já não serviria para nada. Não é, Beatriz?
1837 vezes lido
|