Uma política de meia dúzia?
A chamada “reentrée” política em Águeda teve, este ano, um pré-aquecimento, com a edição de um número especial de Soberania do Povo, dedicado aos 25 anos da elevação da vila a cidade e publicando algumas reflexões críticas, sobre o caminho percorrido, a nova geografia urbana e apontando alguns dos seus males: Uns, já sem solução e, alguns outros, para os quais o saber, o engenho e a arte da política, poderiam e deveriam, ainda, acudir. Mas, a avaliar pela reacção pública de certos sectores ligados às estruturas do poder autárquico concelhio, no passado e no presente, sente-se que os espíritos de “capelinha”, ainda andam por aí - as coisas “certas” que se fizeram são dos quase 30 anos do PSD na Câmara e, as “erradas”, vão para a “conta” dos cinco anos do PS. Ou vice-versa, dependendo do ângulo partidário e, muitas vezes, do interesse de quem assim opina. Se ser poder cria vícios, o permanecer anos de mais à frente dos destinos de uma autarquia, acrescenta dificuldade em realizar a necessária auto-crítica, por erros cometidos, no passado, e, perdidas as eleições, se fica na oposição. E é isso que o PSD de Águeda, cinco anos depois de ter sido afastado da liderança concelhia, ainda não conseguiu fazer. Libertar-se de “malhas e cruzamentos” passados e encontrar um discurso político novo, capaz de enfrentar os problemas actuais do concelho, com pragmatismo, abertura e propostas concretas. A oposição é condição sine qua non na democracia, mas não deve refugiar-se nas glórias do passado, nem fugir aos terrenos do combate político. A Câmara e a Assembleia Municipal são, por excelência, os lugares próprios para a actualização do debate, na caracterização das escolhas da autarquia, na definição de metas, projectos e objectivos. E é aí que o PSD se tem que chegar à frente, porque cada um tem que fazer o seu trabalho. E aos jornais o que é dos jornais, à política o que é da política. Como dizia o nosso amigo e saudoso dr. Antunes de Almeida - preterido, no PSD, pela sua “máquina de interesses”, ao não o incluir, como merecia, em lugar elegível, na lista de deputados à Assembleia da República: «Quando um partido se mete em atalhos, afasta-se do povo, dos seus problemas, da sua esperança: falam sozinhos, meia dúzia e tudo decidem, depois, dá no que dá». Oxalá esta meia dúzia de que falava o dr. Antunes de Almeida não seja o exemplo e a prática, hoje, do PS de Nadais, em Águeda. Porque seria muito mau que isso fosse verdade. Não achas, Beatriz? n JNS
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