Águeda e a política por um canudo
A recente aprovação, à tangente e por voto de qualidade do presidente socialista da Assembleia Municipal, do Plano e Orçamento da Câmara de Águeda, mostra a quem ainda tinha dúvidas, a séria debilidade em que se encontra a política executiva do Município e o divórcio, agora e definitivamente instalado, entre as Juntas de Freguesia e a sua Câmara Municipal. Mas se em tempo de abundância seria importante um largo empenho de todos os autarcas na concretização das obras concelhias, mais agora tal se justificaria, quando a hora é de grave crise e o horizonte dos dias de amanhã de muitas incógnitas. Há cinco anos à frente dos destinos do concelho, o PS inaugurou na Câmara um estilo de “governar sozinho”, procurando dar um cunho pessoal e partidário à sua política, largamente apoiada em acções de propaganda e ataque permanente ao PSD e ao seu trabalho, nos seus quase 30 anos de executivos. Esta estratégia revelar-se-ia errada: Perdeu-se tempo demais no “ajuste de contas” com o passado, as grandes obras não avançaram e o concelho foi ficando para trás quando confrontado com outros concelhos limítrofes: Águeda não tem qualquer Presidência no âmbito regional e está a esvaziar a sua importância na própria relação com os munícipes. A água e saneamento, só como mero exemplo, “passaram” para a Águas da Região de Aveiro, pelo prazo de 50 anos, numa clara capitulação da eficácia e capacidade de realização da Câmara Municipal. A carta educativa de Águeda e as obras que lhe estão subjacentes, só agora vão começar, quando todos os concelhos à nossa volta - e até pelo País inteiro - assiste à inauguração e utilização dos novos espaços escolares, correspondendo a um esforço nacional e comparticipação comunitária em 80%, no quadro do QREN. É, assim, preocupante o extremar de posições verificado na última Assembleia Municipal – com uma clara desmotivação das Juntas de Freguesia: sem verbas e sem obras, e as notícias, lá confirmadas, da lamentável e vergonhosa utilização abusiva de meios públicos, em benefício pessoal, por parte de alguns autarcas. A política em Águeda está, assim, inquinada, na definição e prioridade dos caminhos e obras a concretizar. Por um lado, o PS e a sua Câmara centraram na cidade os recursos, em prejuízo das freguesias, e, não abdicam de continuar “sozinhos” as suas realizações de anos anteriores, que constituem autênticos “sorvedouros” de dinheiros municipais e de que o Agitágueda é um exemplo flagrante. Para quem ler, de novo, os panfletos e brochuras do PS das campanhas eleitorais recentes, concluirá que alguém se enganou no percurso, depois de eleito. Já aqui se escreveu - e por várias vezes - que o tempo político anda sempre à frente. E, das duas uma, ou os políticos o “agarram” no início, ou, caso contrário, a meio da “corrida” já só o vêem por um canudo. É o que está infelizmente a acontecer em Águeda. Para mal de todo o povo do concelho. Bom Ano de 2011, aos leitores e para ti, também, Beatriz! n JNS
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