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Águeda e a política por um canudo

por Luisa (dra) Mello em Janeiro 05,2011

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A recente aprovação, à tangente e por voto de qualidade do presidente socialista da Assembleia Municipal, do Plano e Orçamento da Câmara de Águeda, mostra a quem ainda tinha dúvidas, a séria debilidade em que se encontra a política executiva do Município e o divórcio, agora e definitivamente instalado, entre as Juntas de Freguesia e a sua Câmara  Municipal.
Mas  se em tempo de abundância seria importante um largo empenho de todos os autarcas na concretização das obras concelhias, mais agora tal se justificaria, quando  a hora  é  de grave crise e o horizonte  dos dias de amanhã  de muitas incógnitas.
Há  cinco anos à frente dos destinos do concelho, o PS inaugurou na Câmara um estilo de “governar sozinho”, procurando  dar um cunho pessoal e partidário à sua política, largamente apoiada em acções de propaganda e ataque permanente ao PSD e ao seu trabalho, nos seus quase 30 anos de executivos.
Esta estratégia revelar-se-ia errada: Perdeu-se tempo demais no “ajuste de contas” com o passado, as grandes obras não avançaram e o concelho foi ficando para trás quando confrontado com outros concelhos limítrofes: Águeda não tem qualquer Presidência no âmbito regional e está a esvaziar a sua importância na própria relação com os munícipes. A água e saneamento, só como mero exemplo, “passaram” para a Águas da Região de Aveiro, pelo prazo de 50 anos, numa clara capitulação da eficácia e capacidade de realização da Câmara Municipal.
A carta educativa de Águeda e as obras que lhe estão subjacentes, só agora vão começar, quando todos os concelhos à nossa volta - e até pelo País inteiro - assiste à inauguração e utilização dos novos espaços escolares, correspondendo a um esforço nacional e comparticipação comunitária em 80%, no quadro do QREN.
É, assim, preocupante o extremar de posições verificado na última Assembleia Municipal – com uma clara desmotivação das Juntas de Freguesia: sem verbas e sem obras, e as notícias, lá confirmadas, da lamentável e vergonhosa  utilização abusiva de meios públicos, em benefício pessoal, por parte de alguns autarcas.
A política em Águeda está, assim, inquinada, na definição e prioridade dos caminhos e obras a concretizar. Por um lado, o PS e a sua Câmara  centraram na cidade os recursos, em prejuízo das freguesias,  e,  não abdicam de continuar “sozinhos” as suas realizações de anos anteriores, que constituem autênticos “sorvedouros” de dinheiros municipais e de que o Agitágueda  é um exemplo flagrante.
Para quem ler, de novo, os panfletos e brochuras do PS das campanhas eleitorais recentes, concluirá que alguém se enganou no percurso, depois de eleito.
Já aqui se escreveu  - e por várias vezes - que o tempo político anda sempre à frente. E, das duas uma, ou os políticos o “agarram” no início, ou, caso contrário, a meio da “corrida” já só o vêem por um canudo.
É o que está infelizmente a acontecer em Águeda.
Para mal de todo o povo do concelho.
Bom Ano de 2011, aos leitores e para ti, também, Beatriz! n JNS

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