A razão das Juntas de Freguesia
As 20 Juntas de Freguesia do concelho de Águeda não vão ter grandes obras para oferecer aos seu conterrâneos e têm vindo a protestar em Assembleia Municipal pelo facto de, na cidade, ficarem os maiores investimentos. E já não é a primeira vez que o Partido Socialista (PS) - pela voz do seu Presidente da Comissão Política, José Carlos Vidal – lá critica os autarcas, dentro de uma lógica que ainda não se percebeu qual é e sem argumentação política que convença e esclareça quem, legitimamente, levanta os velhos problemas da sua terra e para eles quer soluções. E soluções que necessariamente estão nas mãos da Câmara, dos seus Planos de Actividade, dos estudos, projectos e financiamentos ao seu dispôr. Em tempo de crise e vacas magras, cabe ao Executivo reanalisar prioridades, prestar a cuidada atenção à condição do dia a dia da população e para aí canalizar os recursos, os meios e a sua acção política. Ir para o terreno e abandonar o papel, passar aos actos e deixar a teoria - e, quantas vezes, a demagogia. Assim, não faz sentido falar de “requalificação da cidade” e para ela direccionar o essencial das verbas disponíveis - quando a sua cintura urbana está miseravelmente degradada e na rua circulam os peões, os automóveis, tantas vezes o esgoto e as águas domésticas. Se este é um exemplo e uma fotografia da Freguesia de Águeda, ela estende-se, infelizmente, à generalidade do concelho, sem que tivesse havido - até hoje - um plano coordenador que todas envolvesse, criando uma urbanidade não confinada aos jardins de recreio das Escolas e meia dúzia de coretos. A política urbana começa à porta do munícipe, na rua onde mora, no caminho que o leva ao trabalho, à Escola, ao Hospital. E é esse o esforço de realização a concretizar, pondo de lado a política do quatro contra três, que tem no Executivo um exemplo de muito maus frutos. As obras que a Câmara do PS quer realizar na Av. Eugénio Ribeiro, no centro da cidade, são mais um atrofiamento para o já débil comércio local e um desastre na caótica circulação automóvel. A política não se faz contra os cidadãos. A política procura a boa organização da cidade, da comunidade concelhia e esforça-se num diálogo recíproco com quem é, afinal, a sua razão de ser. Uma política contra-corrente não voa alto. E o balão da auréola dos primeiros tempos de mudança pode esvaziar quando menos se espera. Pés no chão, Beatriz.
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