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As duas "chagas" da cidade

por José Neves em Janeiro 26,2011

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Em tempos não muito idos, o dr. Silva Pinto, à altura eleito socialista na Assembleia Municipal, pediu ao executivo ”rosa” da Câmara para que acabasse com as duas “chagas” da cidade de Águeda: a célebre Casa do Engenheiro e o Centro de Canoagem, edifício novo e concluído, mas que divergências entre proprietários dos terrenos onde foi construído, arrastaram a obra para processos em Tribunal, ainda por resolver.
Quem passar ali no Largo da Capela de S. Sebastião, verificará que a velha casa já lá não está, ao contrário do abandonado “edifício da canoagem”, na margem esquerda do rio e junto à ponte do Ribeirinho, onde a construção se deteriora a olhos vistos e o vandalismo é imprópria companhia.
Está a Câmara a gastar avultadas verbas na requalificação da zona da baixa, essencialmente na margem direita do rio, e em obras até de prioridade duvidosa, dado o bom estado em que se encontrava toda aquela zona, e está a esquecer-se desta 2ª. chaga, a casa da canoagem, que importaria com celeridade resolver, entregando-a aos atletas do Botaréu.
Já aqui se escreveu que a zona da várzea é a sala de visitas da cidade, mas não está a ser tratada como merecia: há descoordenação nos projectos e a realização de obras parece andar aos “solavancos”, em função da maré ou do temporal.
Mas não deve ser assim: a política tem que olhar depressa e com mais atenção para o seu rio, as suas margens, a sua limpeza. Envolver a população, as associações, os clubes desportivos. Potenciar a paisagem, os equipamentos existentes e chamar o turismo.
Infelizmente, a ideia que está a passar da política de Águeda é que as prioridades na realização das obras vem da “cabeça” de alguns iluminados, mas que os munícipes não podem  “queixar-se” disso  porque, em eleições livres deram o seu voto a quem está no poder. Mas não devia ser assim: a política é para ser exercida olhando à volta, abrindo horizontes e procurando consensos. Sempre e a cada momento.
Sentir a população, ouvir as pessoas e levá-las a sério.
Caso contrário e para mal da cidade, as “chagas” vão continuar por aí. E é pena, porque este “mal” tem boa cura.
Não é, Beatriz?
 n JNS


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