Um Verão a pique e o Inverno no horizonte
Alguns milhões de euros vão ser investidos na “alta” da cidade de Águeda, em obras de requalificação do Largo dr. António Breda, Avenida dr. Eugénio Ribeiro e Jardim em frente ao Hospital. Embora fazendo parte de um conjunto mais vasto de intervenções, com apoio comunitário significativo e propostas pela política local ao chamado objectivo Regeneração Urbana, constante do QREN, elas não mereceram, na sua apresentação, entusiasmo, sendo pública e expressiva a discordância em relação à sua realização. Porque se há obras que Águeda-cidade precisa de ver realizadas e concluídas, no rio, na várzea, na zona “histórica”, outras há que mais parecem “filhas” da euforia eleitoral do momento e menos saídas de uma serena análise urbana e da necessária meditação à volta dos caminhos de quem vive na cidade e das razões que legitimam a sua mudança. Regenerar não é, assim, sinónimo de uma rua com um sentido único, um pavimento em paralelos de granito, um corte desenfreado de tudo quanto é árvore ou uma pista de 200 mil euros para uma dúzia de bicicletas, com vigilância policial a ameaçar o estacionamento. E regenerar muito menos pode ser “virar tudo do avesso”, mesmo que em tempos idos de vacas gordas do QREN e dos QCA (Quadros Comunitários de Apoio), isso tivesse sido uma tentação. Teve tempo a política de Águeda de, superiormente, defender o encaminhamento de alguns milhões de euros para outras obras que mais se justificariam, indo ao encontro dos legítimos interesses da população e criando, desse modo, laços seguros na compreensão, aplauso e envolvimento citadino áquilo que se estava a fazer. Mas tal não aconteceu e, como diz a cantiga, o tempo não volta para trás. Só nos resta a esperança de que, terminado este Verão de sol a pique, o Outono passe depressa, o Inverno não venha cheio de lamaçais e logo surja um tempo de Primavera, permitindo que as obras não derrapem nos prazos, como habitualmente, prejudicando ainda mais o comércio e os habitantes da nossa terra. Beatriz, prepara os livros porque as aulas estão à porta.
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