Atirar (o nosso) dinheiro ao rio
Por muitos argumentos (?) partidários que o PS da Câmara de Águeda apresente, é uma asneira terem-se levado por diante as obras do mercado, da praça Dr. António Breda, avenida Eugénio Ribeiro e jardim em frente ao hospital, num total acima dos dez milhões de euros. Derrotado o PSD há seis anos, pela primeira vez desde o 25 de Abril, e a ocupar a cadeira presidencial, o PS local e Gil Nadais julgaram ser possível deixar em Águeda uma “marca” dessa mudança, aproveitando os generosos fundos do QREN (21,4 mil milhões de euros) também numa área tão inovadora como é a “regeneração urbana”. Mas se são de sublinhar, e até aplaudir, obras na área cultural e social na cidade que beneficiaram desse programa (o Orfeão de Águeda é um caso exemplar), não é legítimo que se avancem com outras, que só servem para beneficiar gabinetes de projectistas, empresas construtoras e outra gente ligada ao sistema. As obras de regeneração urbana pressupõem que, depois de executadas, dêem mais vida aos seus habitantes, estabelecendo e aprofundando novos laços no seu quotidiano, abrindo janelas coloridas para o que está à volta da sua porta e ao alcance do olhar de cada um. Mas se tudo isto já não fosse razão suficiente para a Câmara local do PS repensasse a validade destas obras - não deitando abaixo o que ainda estava novo, só porque “era” do tempo do PSD - a crise do país e das finanças autárquicas, os atrasos na execução das empreitadas, infelizmente à semelhança do que vergonhosamente aconteceu na Carta Educativa do concelho, teriam levado a Câmara Municipal a solicitar a transferência destes muitos milhões de euros para outros destinos concelhios, em áreas de intervenção prioritária da sua população, como de pão para a boca. “É como quem anda a atirar dinheiro ao rio”, parece ser a teimosia da política camarária que agora nos governa, em Águeda. Mas atirar areia aos olhos dos eleitores, já nas próximas eleições é o que vai ser mais difícil. Não achas, Beatriz? n JNS
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