Democracia aos tombos (3)
Pelos vistos, de nada valeram os apelos, provenientes dos mais diversos sectores e respeitáveis individualidades, para que, no período antecedente e coincidente com a campanha eleitoral destinada a renovar a Assembleia da República, fosse ultrapassado o tom de crispação que temos suportado com a paciência que amaeça esgotar-se a breve trecho. Assim se repetem os ciclos que, entre nós, têm precedido todas as alterações de regimes políticos em determinada época dominantes. Sem intuitos exaustivos salientarei, por me parecer de inteira justiça, a iniciativa do Presidente da República, reunindo no mesmo propósito os Chefes de Estado eleitos democraticamente e a firme tomada de posição do cardeal D. José Policarpo e outro bispos, na mesma linha de pensamento e profunda preocupação. Sem qualquer sucesso, para não reconhecer que até com resultado inverso. As polémicas proliferaram, os insultos recrudesceram, o mau estar parece que veio para ficar. No poder desde 1976, se não mesmo antes, os dois maiores partidos lançam um sobre o outro as culpas pelo estado calamitoso a que deixaram o país chegar tornando praticamente iinviável a partilha simultânea e eficaz da governação. Na verdade, qual quer que venha a ser o resultado da consulta popular a” solução”será sempre má para não reconhecer que será péssima. Se o PSD for o mais votado terá “ à perna” a senha dos socialistas Se forem estes a renovar o mandato terão que contar com a oposição tenaz dos sociais democratas. Se vier a ser possível formar uma coligação de um deles com o CDS, ficando o outro dos grandes fora da “carruagem” nem por isso se tornará mais viável o exercício do poder na medida em que as relações pessoais entre os respectivos lideres, depois que simultaneamente se mimosearam com impropérios “ assasinos”, não permitirão um trabalho leal, comum e eficaz. A opção menos daninha será então a constituição de um governo tripartidário, do centro direita com a esquerda unida na oposição, uma vez que nenhum dos partidos da esquerda quererá participar nessa solução. Solução perigosa, para não escrever arriscada, dado que dela poderá resultar a prazo relativamente curto uma forte guinada para a esquerda susceptível de alterar as regras básicas do sistema demo liberal em vigor. Para tanto bastará que se revele daninho o caminho percorrido sob a égide e responsabilidade da “ troika” constituída pelo FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu. O que poderá ser possível ainda que improvável. O momento político faz recordar o rotativismo do fim da Monarquia e a balbúrdia da 1ª. República. E só não teremos um novo 28 de Maio com outro Gomes da Costa antecedendo um novo Oliveira Salazar por estarmos integrados na União Europeia. Por enquanto…
1321 vezes lido
|