Ai Portugal, Portugal!!
“Os jovens, hoje em dia, imaginam que o dinheiro é tudo e, quando ficam velhos, descobrem que é isso mesmo”, Oscar Wilde.
Temos assistido, ultimamente, a um “remake” usado vezes de mais, que passa pela dramatização da vida política levada ao rubro e por um esticar de corda mediático, como ingredientes de uma negociação fria e calculista, que se vai fazendo, entretanto, nos corredores do poder. Um simulacro e uma farsa, que visa apenas, breves retornos negociais, subestimando a inteligência dos portugueses e envenenando, ainda mais, o indecoroso clima político nacional. A questão negocial é o novo Orçamento. Com uma dívida pública galopante, a despesa corrente do Estado sem controle, os juros da dívida pública a atingirem máximos históricos de 6% e as instituições europeias a imporem regras soberanas à nossa limitadíssima capacidade de endividamento, é evidente que aos dois partidos do poder não resta outra solução que não seja o entendimento. Um entendimento que favorece mais o PS, pois, perante o irado estrebuchar social-democrata, sempre lhe fica bem invocar os sagrados valores pátrios e, no papel de vitima do tortuoso contrapoder, ir ganhando mais uns votos. Ao contrário, Passos Coelho vive num dilema. Por um lado, o novo líder quer assumir o papel de um Homem de Estado, que coloca os interesses da Nação acima dos interesse pessoais ou do partido, o que o obriga a vergar-se, perante a gravidade da crise, aos ditames da União Europeia. Ou seja, é obrigado a negociar, fazer acordos e, no fim, a viabilizar o orçamento, através da abstenção, hipotecando por isso, as suas hipóteses eleitorais. Por outro lado, os barões do partido vão contando as espingardas, tendo na mira Passos Coelho que, para se manter na liderança, tem que continuar a fazer de conta que estica a corda. Com a corda tão esticada, quem corre o risco de partir, é Portugal! Porque, na verdade, PS e PSD são a cara e a coroa da mesma moeda. Uma má moeda! Uma moeda que vai hipotecando o País, uma moeda sem poder de compra, degradada, desgastada e sem futuro. Uma moeda que começou a sua desvalorização na governação de Cavaco Silva, quando, com os biliões que anualmente entravam nos cofres do Estado, vindos de Bruxelas, investiu no cimento e no alcatrão, em vez de investir nas pessoas e na formação, gerando elefantes brancos atrás de elefantes brancos, em hospitais interiores sem médicos, escolas sem alunos e auto-estradas sem carros. Maculado pelas ideias neo-liberais do seu tempo, nunca acreditou, na verdade, de que o Homem é a maior riqueza do País e, por isso, floresceu a corrupção e criaram-se desequilíbrios estruturais nas contas públicas que se cifraram num déficite, superior, então a 7%! Uma moeda que continuou esse declive decrescente com António Guterres e teve o seu momento épico com Durão Barroso! Já o referi, aqui, de há muito tempo a esta parte: É preciso refundar Portugal! Como temos os partidos do arco da governação que temos, vamos ter que os aturar ainda, durante mais algum tempo, até que o povo se liberte das amarras dos preconceitos. Mas, então, já que o precipício é já a seguir, só mais um passinho em frente, para o evitar, que se convenha um governo de Salvação Nacional, onde todos os partidos parlamentares lá estejam representados, por um período necessários a que se façam as reformas fundamentais que salvem Portugal da ruína. Mas, para isso, era preciso um outro Presidente! n NELSON LEAL
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