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Guerra financeira não declarada

por Nelson Leal em Julho 27,2011

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Vi, há pouco tempo, uma reportagem onde um ex-agente da CIA, ligado à área económica, explicava o modo como os EUA tratavam os países “que se portavam mal”. O  dito senhor, John Perkins, trabalhou, durante muitos anos, na qualidade de “assassino económico”, num departamento estatégico da CIA. Contava ele: “Identificamos uma país com recursos que as nossas economias desejem, como o petróleo. Depois, conseguimos um enorme empréstimo para esse País, a partir do Banco Mundial. Mas o dinheiro não vem para esse país, mas sim, para as grandes corporações americanas, que constroem grandes projectos em infra-estuturas para aquele território”. Depois, veem as consequências terríveis daqueles projectos na dívida pública, projectos que vão enriquecer ainda mais, os mais ricos e empobrecer, ainda mais, os mais pobres. Com esse pano de fundo, as autoridades americanas coagem o poder político alvo,  a renegociar a dívida,apontando o  petróleo como solução. Caso o estratagema não funcione, segue-se a fase dos “chacais”, que têm como missão, eliminar fisicamente os dirigentes não colaborantes e, se falharem também, esse objectivo, invadem militarmente o país recalcitrante, dourando a pilula da  opinião pública, com o manto diáfano dos direitos humanos, como foi o caso referido do Iraque.
As guerras têm, por norma, objectivos estratégicos de natureza económica e sempre foram um excelente pretexto para grandes saltos económicos, seja por via das transformações tecnológicas decorrentes dos conflitos, seja pela necessidade da recuperação da economia e das infraestruturas destruídas. E sempre foram fantásticas oportunidades para os grandes consórcios mundiais, seja na área da industria do armamento, seja no mundo financeiro, ou seja lá de onde fôr....
Acontece que os conflitos, à medida em que a ciência progride, se vão tornando cada vez mais mortíferos e a tal ponto, que, hoje, se tornaria pírrica, uma qualquer guerra em que participassem as grandes potências. Mas a necessidade de um conflito alargado, torna-se incontornável para a sobrevivência do poder americano, face às insanáveis contradições em que o próprio sistema vigente se envolveu. O sistema capitalista é como uma panela de pressão, onde a tensão cresce, cresce, até que, se não houver um válvula (guerra) de escape, explode. Como resolver, então, este problema?
As agências de rating são verdadeiros tentáculos do poder financeiro americano, sendo financiadas pelos grandes grupos financeiros mundiais. Como bons amigos do dono que são, sempre deram excelentes notas a quem lhes convinha (lembremo-nos da Lemman Brothers e outras, que, na véspera da crise de 2008, eram avaliadas como excelentes) e nunca beliscaram a gestão dos EUA, pese a sua imensa dívida e um déficite orçamental que ultrapassa os 8%. E montaram a sua estratégia: aos poucos, foram, baixando, nível atrás de nível, o crédito dos países periféricos e a tal ponto, que a sua dívida se ia tornando insustentável, com a Grécia na bancarrota, Portugal e Irlanda em estado comatoso e a Espanha, Grécia e Itália, nas urgências. Como no caso referido do agente americano, também foram as obras vultuosas, os compadrios e a corrupação larvar, que nos empurraram para o abismo. Vejam-se as políticas seguidas desde Cavaco Silva até José Socrates e os seus resultados. Os países da chamada União Europeia, atados pelas pontas dos mesquinhos interesses nacionais, vêm assobiando para o lado, enquanto a crise, orquestrada por aqueles tentáculos referidos, se vai acumulando. Hoje, é evidente para todos, que a moeda terá que se desvalorizar, para não morrer...
A guerra está instalada e as suas consequências são imprevisíveis. Provavelmente, catastróficas. ! Por isso, atada como está, a mesquinhos interesses nacionais, prevejo a cisão da Europa em duas, onde os chamados PIIGs terão que se juntar numa Europa do sul, fragilizada, moribunda, com outra moeda, mais competitiva, para que não se afundem. Enquanto isto, quem se vai afundando, é o povo!
 n NL

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