Madrid
O meu interlocutor americano, com quem mantenho negócios na área da moda, dizia-me à chegada a Lisboa: “Venho de Madrid e estou espantado e muito preocupado: o negócio parou! Uma coisa impensável!” Semanas depois, passeava-me pelas ruas da capital vizinha e reparei que as lojas das grandes marcas estavam vazias, sem clientes como era habitual. Entrei numa. Foi-me dito que não tinham a colecção de Primavera-Verão e muito menos a de Verão. “Mas não deviam ter?!”, questionei. “Sim, em Dezembro ou Janeiro já as temos, mas este ano não veio nada e não sabemos se vem!” “Mas e noutras lojas vossas em Madrid?” “Também não têm! Este ano não veio nada!” Espantoso, de facto! Fui visitar uma outra zona, de marcas mais acessíveis. O cenário seria o mesmo?! Aqui havia negócio! As lojas tinham movimento! Nada que se comparasse ao habitual, mas funcionava. Explicaram-me: “As pessoas, com esta grande crise, optam por comprar em marcas mais acessíveis e que se destacam por seguir as tendências da moda das grandes marcas!” Quer dizer que, contrariando o que parece ser o habitual em crises financeiras, nesta super-crise, quem tem algum poder de compra está a optar por se abastecer a preços mais baixos! Percebi o motivo porque um amigo há dias me disse que, presentemente, é o maior grupo mundial em volume de vendas: as suas marcas são deste segmento! Como disse Einstein, o pai da “bomba atómica”, momentos de grande crise são também momentos de grandes oportunidades! n EC
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