Postal da Semana: Crise?!
“Crise?! Qual crise?! Nos anos sessenta não tinha eu uma pequena parte do que os meus filhos têm! E a grande maioria das pessoas não tinha o nível de vida que hoje têm e que não sonhavam sequer vir um dia a ter!” Estas palavras que ouvia de um respeitável médico, mereceram-me um comentário a propósito do conceito de “crise”. Expliquei o meu ponto de vista. Uma “crise” surge quando se perde o nível de vida que se tem. Em bom português, tirar uma coisa que se deu, provoca sempre uma crise. Imagine-se a reacção de uma criança a quem propomos que vá para a escola descalça num dia de frio, com o pretexto que os pais também o faziam! Ou que lhe vão retirar o “Magalhães” com acesso à Internet, porque os pais também não tinham esse privilégio! Ou que façam uma bola de trapos se quiserem jogar à bola! Sempre ouvi dizer que é mais doloroso perder a visão do que nunca a ter tido. Esta crise que vivemos, a pior dos últimos oitenta anos, maior do que a do tempo da segunda guerra Mundial, alterou e vai alterar para sempre o modo de vida que tivemos até ao Verão de 2008!Tínhamos facilidades a mais?! Deram-nos uma qualidade de vida, empréstimos para tudo e mais alguma coisa, que agora não temos como cumprir?! Tudo isto pode ser certo, mas a “crise” surge quando perdemos e estamos a perder essas facilidades a que nos habituamos. Ou, ainda melhor, a que nos habituaram!Sabemos hoje que temos menos quinze por cento de poder de compra do que tínhamos à data da “Revolução dos Cravos”! E temos compromissos com dívidas aos bancos que não havia em 1974! É de facto uma “crise” que nem ao diabo lembra!?
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