País de Férias
Os portugueses esgotaram os programas de férias para o estrangeiro. “Estar aqui a fazer o quê?! A ouvir más notícias todos os dia?! Uns dias de pausa nisso é um alívio!” Crise só mesmo para a maioria. Um país precisa duma classe média, com capacidade financeira, para manter os níveis de consumo e poupança. Mas este grupo de pessoas deve ser a maioria. O que nos é dado a perceber é que, neste momento, é uma minoria. “Férias da Páscoa?! Nem sei se vamos ter férias de verão! “ Motivo?! “Neste momento ganho 800 euros, a minha mulher outro tanto. Temos dois filhos. Você conseguia programar férias?!” Este casal amigo tinha um rendimento bastante mais alto: com a crise, o rendimento reduziu consideravelmente. Pensei no assunto: 1600 euros para um casal, com dois filhos, carro, estudos, compromisso com empréstimo da casa! De fato, não deve ser fácil. Mas este casal sempre pertenceu a essa classe média que alimentou este país e que já foi a sua maioria. Neste momento, essa maioria passou a minoria. “Mas há facilidades que as agências dão de pagar em prestações…”. A reação não foi das melhores: “Prestações?! Nem pensar!” Motivo: “Sabemos lá como vai ser o futuro, se vamos manter os nossos empregos! Podemos estar a ganhar pouco, mas pode ser ainda pior!” A incerteza que paira no ar não dá tranquilidade a quem tem compromissos e família! Mas, neste cenário, as boas notícias também acontecem: com a crise no mundo árabe, os nossos hotéis já estão a adivinhar um excelente verão!? n EC
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