Clube da Venda Nova: Vamos lá, então, construir vias cicláveis para todos
Não tardam as eleições autárquicas. Já há comícios, começam a contar-se espingardas e encomendam-se sondagens duvidosas. Mas não será por isso, de certo, que se anunciam obras para a cidade, coração do concelho, sala de visitas mal tratada! Os membros do Executivo do Clube saíram à rua. Vestiam calções de licra de fundilhos almofadados, t-shirts fornecidas pelo Catering Itaú, sapatilhas de corrida, tripulando bicicletas amarelas e verdes, fabricadas em Águeda, com quadros e mudanças chinesas, travões e campainha indianos e pneus holandeses. Subiram, esfalfados e mesmo arfantes, a Avenida das Palmeiras e sentaram-se, exaustos, na escadaria do Tribunal, quando foram interpelados pelo curioso e sempre atento Lenine de Falgoselhe: “O que é que andam a fazer com esse aparato?”. “Não julgue que é propaganda política - respondeu o Gil Pedalais - o que andamos a fazer é a pensar na saúde e bem-estar dos nossos munícipes, que anquilosam fechados em casa em frente às televisões a ver telenovelas e futebóis. É preciso fazê-los sair...”. “Pois, queremos que todas as ruas da cidade, desde o Ninho d'Águia ao Redolho e do Casaínho ao Regote, tenham espaço para a circulação de bicicletas, com segurança - acrescentou a Excelsa da Corga - vamos construir vias cicláveis para todos”. O João Piedoso, entretido a meter a corrente na bicicleta, que tinha saltado, continuou: “Andamos pessoalmente a verificar os percursos mais convenientes, se for necessário fazem-se passagens aéreas e subterrâneas para evitar os grandes declives”. “As bicicletas terão a designação de “VIUGRAS” - viaturas de utilização gratuita”, informou o Jorge Enfermeiro. “Serão fornecidas pelo Clube e os utilizadores pagarão apenas uma pequena portagem”. A Excelsa da Corga, sorridente, adiantou, com vivacidade: “Serão criadas estações interface para descanso dos ciclistas, onde poderão ser instaladas lojas de conveniência para venda de água e roupa e até uma pequena oficina para remendar os furos dos pneus”. Entretanto, aproximou-se o Carlos do Filipe d´Almada, que começou a distribuir auto-colantes com a seta para cima e alertou: “Olhem que esse projecto também é nosso, essa ideia já vem do tempo do Deniz de Bouquets e até a ideia das bicicletas do rio, quem pedala na rua também pedala na água!!”. O Egberto das Canas, esfalfado, por ter dado a volta atrás deles, numa pasteleira velha e com uma mola da roupa na perna da calça, por causa do óleo da corrente, clamou: “Isto é um projecto megalómano, como o TGV. Ando atrás de vocês, mas é para ver o estado das ruas, que estão todas sujas. A Rua de Cima, onde passa toda a gente, só é lavada quando chove.Antigamente, no tempo dos laranjas, lavavam-na, mas agora só pensam em grandes investimentos… deixem-se lá de actos eleiçoeiros!”.
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