Longa vida ao nosso presidente…
Gosto muito do meu bairro. Gosto das vistas, das casas, do ambiente e principalmente das pessoas. Situado na parte alta da cidade, com a chaminé da antiga fábrica da telha como referencial, o meu bairro é mais do que um conjunto de vivendas com jardins bem tratados. É uma comunidade de vizinhos. Vizinhos à moda antiga, sempre disponíveis para prestar ajuda desinteressada nas horas de aflição. Sem coscuvilhices nem intrigas. Diria que é um oásis de civilidade numa urbe que parece um amontoado de betão com gente dentro. Gente que, vivendo no mesmo prédio durante anos, não se conhece, nem se cumprimenta, nem se importa com o que se passa em seu redor. Gente que, tendo nascido em Águeda ou cá vivendo, se alheia completamente dos problemas da sua terra. Gente que exige melhores escolas e hospitais, mais creches e lares de terceira idade, mas que não mexe uma palha para lhe dar forma. Gente para quem a participação cívica é uma treta. A Câmara Municipal promoveu recentemente um debate público sobre a requalificação da baixa e da zona histórica, com especial incidência na área ribeirinha. Fez publicidade em jornais e cartazes, e inundou as nossas caixas de correio com desdobráveis apelando à apresentação de comentários e sugestões. Houve mesmo quem considerasse tão ampla divulgação como uma manobra de propaganda, mas isso são contas de outro rosário. O que é certo é que o Salão Nobre da Câmara Municipal registou uma boa audiência e teve a participação activa de muitos munícipes. E sabem donde partiu grande parte das sugestões? Não foi dos comerciantes da baixa, nem dos proprietários dos terrenos ribeirinhos, nem dos donos dos prédios degradados do centro histórico, nem dos políticos, nem dos notáveis. Esses, ou têm outros fóruns para apresentar a sua opinião, ou são ouvidos em privado, no recato dos gabinetes. Grande parte das sugestões partiu dos meus vizinhos, da gente do meu bairro. Desinteressadamente, apenas por participação cívica. Porque no nosso bairro não há cheias, nem prédios degradados, nem terrenos para valorizar, nem subsídios para receber. E foi gratificante ouvir o Senhor Presidente da Câmara, que é de Águeda e vive na baixa, responder com convicção às questões que lhe foram colocadas. Foi bom ouvi-lo falar da criação de uma ciclovia desde o Largo do Botaréu até ao Souto Rio. Foi bom ouvi-lo falar da construção do açude, do canal navegável e da nova ponte sobre a EN1. Foi bom ouvi-lo falar da beira-rio com árvores, do rio com água, de parques infantis com relva, sombra, areia, lama e troncos de árvore. E foi bom ouvi-lo dizer que quando viessem novas cheias, porque hão-de vir, as obras e equipamentos instalados seriam prontamente lavados e reparados. E foi ainda melhor ouvi-lo dizer que, apesar da enorme dimensão do projecto que agora se discute, ainda tem mais projectos, bastantes mais. Gostei de ouvir as palavras do Presidente da Câmara da minha terra. Num país de pessimistas, de Velhos do Restelo, é uma bênção ter dirigentes com muitas ideias, muitos projectos e muita fé na sua concretização. E as obras? As obras hão-de aparecer. Se os eleitores lhe derem os votos, se a União Europeia lhe mandar o dinheiro e se Deus lhe der longa vida. Porque para deixar obra é preciso tempo. Tempo e dinheiro. n carlos-a-abrantes@clix.pt
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