O que eles fizeram ao nosso Botaréu
“Para quem, como nós, sente uma atracção muito especial pela zona ribeirinha da cidade e pelo majestoso vale do rio Águeda, tão belamente descrito por Adolfo Portela - ali nascemos e crescemos, ali vivemos emoções, que ficarão sempre na memória… -, não pode deixar de ser triste pensarmos no que se fez ao Botaréu, nos últimos anos. Repare-se: Tínhamos uma vasta área aproveitada para estacionamento e para a ”praça” de todos os sábados, limpa e provida de toda a sombra do mundo, onde sabia bem reencontrar amigos e cavaquear um pouco, nos dias de sol aberto. Era sobretudo o Botaréu que “alimentava” o pequeno comércio da baixa, onde era cómodo e rápido fazer-se – com estacionamento garantido! – as pequenas compras do dia-a-dia. É evidente, carecia de vários melhoramentos, mas pontuais e com um aproveitamento inteligente do património existente, nomeadamente das suas árvores! Temos hoje uma praça despida de árvores e com escasso estacionamento de carros, o que explicará, em parte, o definhamento do pequeno comércio envolvente. Gastaram-se rios de dinheiro – quanto foi, os aguedenses não sabem… - com um conjunto de ideias dispersas, feitas de cimento e de gosto duvidoso, apostamos que pensadas por técnicos que pouco ou nada conhecem da alma da nossa terra e que, como sempre, não quiseram recolher junto dos cidadãos uma bolsa de ideias, que iria dar ao Botaréu a atracção que merece... Por isso, caros amigos, cremos que, hoje em dia, o Botaréu é o exemplo maior da falta de visão de quem mandou na Câmara Municipal, ao longo das últimas décadas!” Este texto simples, que inseri, em Dezembro de 2005, no conhecido “Blogue Judeu”, do velho amigo Rui Neves, destaca uma preocupação de sempre dos aguedenses: o aproveitamento das margens do nosso rio, sobretudo do espaço em que ele atravessa a “bila”. Hoje, o nosso Botaréu está melhor que em 2005, mas muito continua por fazer. Urge que – ao contrário do que aconteceu em 2005… - o projecto da futura intervenção nas duas margens do rio surja na praça pública e que, num apelo à cidadania, a Câmara Municipal organize – e incentive! – o envolvimento de todos os aguedenses na sua discussão. E, igualmente, que a equipa de Gil Nadais não esqueça que essa intervenção extremamente importante para o futuro da “bila” começa num outro investimento a realizar a montante, visando regular o caudal do rio e minimizar as habituais cheias... n C. C. PS: Para além das (muitas) horas de trabalho diárias, ainda consigo arranjar algum tempo para colaborar com a Associação Senhora da Esperança (Préstimo), jornal e empresa Soberania do Povo, União de Bandas de Águeda e, recentemente, Orfeão de Águeda, sempre sem receber um cêntimo. Algo diferente da atitude cívica daqueles que vêem nos partidos do poder uma oportunidade para, com um pinote habilidoso, alcançarem a gamela… n C. C.
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