O Psiquiatra
“Vivemos hoje muito melhor que há uma geração atrás, ou até que há uma década atrás! Vocês não sabem o que é passar fome, ter que cozer as meias, remendar as calças… Vocês queixam-se sem razão!” Estas palavras da senhora de avançada idade, deixam-nos a pensar: de facto, é bem verdade que a qualidade de vida dos nossos jovens de hoje nada tem a ver com a juventude dos pais, já para não falar dos avós! Então, de que nos queixamos?! Alguém explicou: “Os nossos pais tinham sempre a certeza, a confiança, a esperança de que o nosso futuro seria melhor que o deles. Isso levava-os a trabalhar, a empenharem-se para nos dar a melhor educação, melhores oportunidades. “Ora, hoje, a esperança em melhor futuro é letra morta, duvidamos que os dias que vêm sejam melhores que os de hoje, temos só incertezas… Isso desanima-nos, deixa-nos sem esperança e sem vontade de lutar, de trabalhar…” Dou toda a razão a este lúcido pensamento. Mesmo as pessoas que têm a sorte de manter o seu bom emprego andam desanimadas. Elas duvidam e têm quase a certeza que o futuro dos seus filhos não está seguro e que tudo indica que poderá ser muito incerto. Isto desanima, desincentiva a opção de lutar e trabalhar. Hoje, nem os melhores psicólogos e psiquiatras conseguem resolver um problema que já é coletivo: estamos desanimados! Não acreditamos no nosso futuro! Levem o país ao psiquiatra, curem-no da falta de esperança! n EC
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