E agora,Gil!
Finalmente, o circo vai ser desmontado… Gente anónima – que luta e sofre todos os dias pelo seu pão, sem a esperança das benesses da política… - vai arrancar as estacas, soltar com esforço os toldes imensos, arrumar a roulotte da bilheteira e soltar os animais que, sem qualquer esperança de, um dia, serem empresários de circo, são afinal os tristes bombos da festa, que foram abrindo o caminho, dia após dia, às vedetas do espectáculo. Não sou assim: o calor dos holofotes tira-me a alegria, raramente penso ser mais do que uma pessoa normal, a vida pública apaixonou-me apenas uma vez, quando o povo inteiro saiu à rua, na madrugada fresca de 25 de Abril de 1974. E que linda foi aquela festa imensa, pá! Não a consigo recordar sem emoção: finalmente, todos nós, o povo deste país, tivemos direito a alguns dias de felicidade, imensamente maior que a vivida nos tempos dourados dos Descobrimentos ou do ouro das Índias! …E agora, Gil? Iremos continuar com uma “bila” cheia sobretudo de bons e vistosos discursos, com farto suporte multimédia ou as ligações Águeda-Aveiro e Oliveira de Azeméis-Coimbra vão saltar dos papéis para a nossa realidade? E todo o ambicioso projecto de reconversão e dinamização das duas margens do rio deixará de ser projecto, com aproveitamento inteligente da área envolvente à Junta Nacional de Vinhos? A nova Zona Industrial do Casarão vai, efectivamente, ser o êxito anunciado, com o Lidl e tudo? E quando teremos finalmente um Pavilhão de Desportos tão digno, pelo menos, como os de Vagos, Anadia, Oliveira do Bairro, Albergaria?… Os grandes gastos com propaganda à Câmara irão deixar de existir, tornados inúteis pela realidade? As grandes obras de que o concelho precisa deixarão de ser apenas breves minutos do teu discurso de político com ambições? Ou teremos, como há décadas, uma mão cheia de nada? Por mim, nascido há (demasiados) 55 anos – numa tranquila madrugada de sábado, ali na Rua de Baixo, enquanto os carros de bois de Bolfiar e do Gravanço avançavam lentamente para a “praça”, carregados até mais não poder das couves e das batatas que alimentavam a gente da “bila”… -, quero acreditar que a nossa terra irá ser, dentro de quatro anos, muito diferente para melhor! No entanto, tantas e tão importantes intervenções na “bila” continuam adiadas… Acabou o circo. Agora – mesmo que não queiram os “boys” do poder aguedense… - é tempo de voltar à realidade e encará-la corajosamente. Afinal, o futuro de Águeda está ainda apenas no papel!... Tens agora a palavra, Gil! Fazia todo, todo o sentido do mundo pedires ao povo de Águeda um novo mandato, após quatro anos de trabalho empenhado, dirigido para as maiores carências de Águeda, herdadas dos anos e anos de fraca gestão (houve, de facto, uma gestão?...) do PSD, uma tão evidente realidade que só o Alberto Marques e mais meia dúzia de políticos não conseguem ver! Agora, Gil, é a vez da tua equipa escrever parte decisiva do futuro próximo de Águeda.
2461 vezes lido
|