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Uma campanha alegre

por Dr. Carlos Albano em Junho 08,2010

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Desenganem-se os que pensam que vou escrever sobre o nosso conterrâneo Manuel Alegre, ou sobre a sua candidatura à Presidência da República.
Também não vou escrever nada de original. Hoje, limitar-me-ei a citar. E não vou citar o que disse o Governo ontem e desdisse hoje. Nem realçar as contradições entre o que fizeram os nossos políticos no passado e o que apregoam para o futuro. Para tamanha tarefa, não haveria tempo nem espaço.
Limitar-me-ei a transcrever dois excertos do livro «Uma Campanha Alegre», de Eça de Queirós. É, pois, da exclusiva responsabilidade do ilustre escritor o que abaixo se reproduz.
“Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado: doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder… O poder não sai de uns certos grupos (…). Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião e os dizeres de todos os que lá não estão – os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do País. Os outros, os que não estão no poder, são segundo a sua própria opinião – os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do país. Mas, coisa notável! – os cinco que estão no poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do país, durante o maior tempo possível! E os que não estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se para deixar de ser o mais depressa que puderem – os verdadeiros liberais, e os interesses do País!”
 “O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se (…). A ruína económica cresce, cresce, cresce… O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.”
Eça de Queirós descreveu assim o nosso país em 1871. Parece que, 139 anos depois, Portugal não mudou muito! n  Carlos-a-abrantes@clix.pt


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