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A propósito do casamento

por Carlos Albano Abrantes (dr.) em Janeiro 27,2010

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Dizia o povo, na sua enorme sabedoria, que “quem não tem pano não arma tenda”. Ou, de forma mais simples e directa, que “quem não tem dinheiro não tem vícios”.
Dizia, porque agora já não diz.
Habituados aos milhões de Euros que, durante décadas, a Europa despejou sobre o nosso país, os portugueses habituaram-se a armar tenda, mesmo sem terem pano. E, apesar de continuarmos pobres, habituámo-nos a cultivar os vícios da gente rica. Convencemo-nos de que “o hábito faz o monge”. Convencemo-nos de que muitas auto-estradas, e muitos aeroportos, e muitos Tgvs, e muitos estádios de futebol, e muitas universidades, e muitas rotundas, e muitos centros culturais, e muitas obras de fachada, fariam de nós um povo rico. Mas não fizeram. Continuámos a ser os mesmos pelintras que sempre fomos. Só que agora existe uma diferença. Agora somos uns pelintras aburguesados e endividados. Não temos dinheiro para mandar cantar um cego, mas arrotamos postas de pescada. Temos um défice descomunal e uma dívida pública gigantesca, mas exibimos orgulhosamente as nossas obras públicas. O tempo dos portugueses pobres mas honestos, foi chão que deu uvas. Ter contas públicas equilibradas é passadismo reaccionário, cheira a salazarismo. E, como tal, deve ser combatido. Falar em poupança é heresia. A hora, hoje, é de gastar. Ou de consumir, como dizem os iluminados.
E gastamos, ou consumimos, o que não temos arcaboiço para pagar. O estado endivida-se para fazer obras públicas faraónicas, sorvedouros de dinheiro que alguém há-de pagar. As famílias compram a casa, e o carro, e as férias a prestações. A contar com aquilo que hão-de ganhar no futuro, se Deus quiser, e se não falirem as empresas onde trabalham.
Não estamos em período de vacas magras, ou mesmo esbeltas, como lhe chamava um antigo Ministro das Finanças. Estamos em crise. Crise grave, profunda, global. E, para os portugueses, o pior ainda está para vir. O agravamento do desemprego, a falência de muitas pequenas e médias empresas, a deslocalização das multinacionais, a subida das taxas de juro e do preço dos combustíveis, são apenas alguns dos males de que iremos padecer nos próximos tempos. Por isso não se compreendem pressupostos do orçamento em discussão na Assembleia da República. Que não prevê cortes violentos na despesa pública primária e aposta nas grandes obras públicas e no Estado, como motores da economia. E esquece que é a iniciativa privada, as pequenas, médias e grandes empresas, quem gera a riqueza das nações.
Fico, no entanto, satisfeito por saber que o salário dos gestores públicos não irá ser aumentado. E que o senhor Faria de Oliveira, presidente da Caixa Geral de Depósitos continuará a ganhar apenas 371.000 euros por ano, fora as alcavalas. E que, talvez por já não ser aumentado há 3 anos, o senhor Vítor Constâncio, Governador do Banco de Portugal, está a preparar a saída para o Banco Central Europeu. Realmente quem é que consegue sobreviver com apenas 249.448 euros por ano? E será que os senhores Fernando Nogueira (ISP), Carlos Tavares (CMVM) e Vítor Santos (ERSE), chateados com o congelamento dos seus salários de 247.938 €, 245.552 euros e 233.857 euros também irão à procura de novo emprego? Seria, realmente, uma bênção se o fizessem. Talvez um milagre catapultasse para esses lugares alguém a ganhar o salário mínimo nacional. Que subiu este ano, contra a vontade da CIP, para 475 euros por mês.
E apregoam estes senhores, todos democratas de alto gabarito, que em Portugal se vive em democracia!                                                                                           
carlos-a-abrantes@clix.pt

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