Neste momento, agora...
Com toda a urgência que o título explicita, gostava eu que me tirassem da vista o dr. Filipe Menezes, que deu a Constança Cunha e Sá, aqui há tempos, uma entrevista vergonhosa. Meteu as raivinhas todas na ventoínha e espalhou o que se viu... No momento, em que as hostes do PSD precisam mais que nunca de união e bom senso não achou nada melhor que andar a semear ventos de desunião. Oxalá a tempestade não lhe caia em cima, que ia sobrar para quem a não quer! Em tempos em que a famarcopeia não tinha ainda recursos tão eficazes, costumava comprar-se para os bébés a quem os dentes começavam a nascer e provocavam nos infantes o que as avós, mães e madrinhas chamavam “raivinhas”, um produto calmante das gengivas que se chama matricária. Venha matricária pelo menos para a ponta da língua do dr. Menezes! Também gostava de, com a mesma urgência, ver retiradas de todos os canais televisivos as visitas diárias daquele senhor de nariz batatudo, que neste momento, agora, desde que acordou finalmente dos louvores da etérea glória e aterrou no solo duro e pedregoso da realidade, guarda para si todos os salamaleques que, porventura ainda sobrem e manda os seus ministros para os figurativos muros, das lamentações, a ver se o eco chega até nós. Não há pachorra, tanto mais que as “novidades” já cá tinham chegado. Eu, que bastas vezes aqui tenho confessado a minha profunda ignorância sobre macro-economias, ainda consigo perceber que nesta fase do refrão do “não há nada pr’a ninguém” seja difícil ou mesmo contraproducente baixar impostos. Quando se lançaram os mesmos, com uma descomunal “sede ao pote”, é que se poderia ter previsto a impossibilidade dos recúos. Deve ter sido por isso que Ministro das Finanças Dr. Campos Cunha, primeira escolha deste governo recuou. O petróleo, pois, está bem… Há uma pergunta que se me baralha constantemente na cabeça: pagarão os espanhois menos que nós pelo amaldiçoado combustível? E só falo do país que sei, que é aquele onde os portugueses da raia, ou os turistas que lhe vão até perto, abastecem as viaturas até ao último pingo que caiba nos depósitos… Do lado de cá, as gasolineiras secaram todas, como é evidente. Restou “umazinha” boa-notícia: o dsesemprego diminuiu. E o trabalho precário? E os recibos verdes? E os que já nem se dão ao trabalho de ir até aos Centros de Emprego por manifesta inutilidade? Estou como alguém que disse - já não recordo o nome - haver três tipos de mentiras: as graves, as piedosas e as estatísticas... Para desgraça final, e contrariamente ao que a lógica devia impôr, os cavalheiros da governança resolveram apropiar-se do monopólio da Acção Social e dar um chega pr’a lá nas muitas instituições religiosas e leigas que há tanto labutavam em tão meritório terreno. É o que se chama “por cima de queda, coice!”… Estes senhores deviam ler o “Ensaio sobre a cegueira”. Só que esta sua cegueira não é meramente figurativa: parece-me mal intencionada.
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