“O Supremo desespero é não estar
desesperado” Soren Kierkgaard
Cheguei àquele ponto de saturação em que já não consigo suportar nem a figura nem as afirmações e argumentos do Primeiro-Ministro e triste comandita em tudo quanto sejam canais televisivos nacionais. Nem nos espanhois, que aquele seu “hablar castellano” encheu-me de vergonha. Como dizia o outro quem não tem competência não se estabelece. E as TVs a pôrem legendas foi mais ridiculo ainda: tratava-se de português mascarado de vestido às pintas e castanholas… Pormenor insignificante, se não fôra tão caricato!
O que eu já não vejo nem ouço são as figuras governamentais a lançarem-nos (a nós, os remediados, os “cristos”) as chamas do inferno por cima com aquele sorrisinho arrepiante, quando argumentar se lhes torna mais dificil: a crise é europeia, é universal, é galáctica! A culpa é “deles”, seja lá quem forem. Outros estão ainda piores, que as nossas prestações financeiras subiram este mês 0,1%, a defesa do euro, os alemães que já têm pouca paciência para trabalhar no duro e ter de suportar os calotes dos incompetentes (esta-última tirada é minha…).
Como se a crise se não tivesse já instalado por cá antes da Crise! Resta-nos a democracia (resta?!…) de os podermos chamar de mentirosos e cínicos. E até de usar os braços em gestos considerados pouco convenientes (vidé Rafael Bordalo Pinheiro…) quando sozinhos, sentados frente à grande caixa, o que é uma voz muda que, como a dos burros não chega onde devia.
E “bota” burro nisso, que temos o país trasnformado em estábulo!
A visita de Santo Padre trouxe-me na altura um certo alento. Atenta principalmente, à dicotomia Fé/Razão que de modo nenhum considero incompatível. Por mim falo que muito bem concilio ambas. Alegrou-me que as multidões presentes em todo este percurso possam ter aberto os olhos a quem tanto prega a prática a laicização como substituta intelectual da religião. A César já eu dou mais do que é justo! Por mim, que sou católica de raízes, de convicção e de fé (católica de paróquia, digamos assim, que não sou adepta de movimentos paralelos), dou a Deus sem dificuldade alguma aquilo que Lhe pertence de adesão na oração e no cumprimento, tanto quanto humanamente possível, dos seus mandamentos e preceitos (digo humanamente dado o que foi explanado nesta primeira parte…) Resumindo e para não aborrecer: há dois salmos do Novo Testamento que me norteiam. As palavras de Jesus Cristo: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. E a convicção que nunca me abandona: “O Senhor é meu Pastor: nada me faltará”. Fora a minha oração-base, o Credo, embora, não perceba muito bem (historicamente…) o que Pilatos lá está a fazer…
As trocas de palavras, agrestes, delicadas, assim-assim, que tenho travado à conta da promulgação do Presidente da República do “casamento” dos gays! Mantenho que fez muito bem e fundamento: 1 - ia arranjar “uma camada de “sarna” para se coçar“até ao fim dos seus dias. 2- Voltaria a discutir-se o assunto na AR. Era uma perda de tempo e um trocar de insultos para o resultado pretendido do SIM (já assim foi com o aborto e esse teve a democraticidade de referendos).
3 - No momento tormentoso em que muitos se interrogarão onde lhes fica a “sopa dos pobres” mais perto e se ainda a há… nada de mais distracções.
Seria o mesmo que ver uma casa a arder e antes de chamar os bombeiros convocar a ASAE para que verifique a mercearia do prédio ao lado que tem nas prateleiras iogurtes fora do prazo!
Juntem-se de casa e púcarinho com festa e assinatura no Civil, noiva com noiva, noivo com noivo, bom copo de água, fotografias para mais tarde recordar e tudo o mais a que tiverem direito. Casamento é que não é porque a minha razão me diz que desde o princípio do mundo o “crescei e multiplicai-vos” só pode ser por outros processos… Porque não se lhe chamar “união civil homossexual” - UCH? Não deixava de haver festa, liberdade, “progressismo”, apaixonamento (custou-me um bocado a escrever, mas concedo…) por isso, e até era coisa mais frontal e na perspectiva gay mais digna de orgulho!…
AINDA A TEMPO: Coca-cola, a 5% do IVA! Que generosidade…! Não gosto, não bebo, não uso, mas sim, é tão importante como opão e o leite que vão para os 6%!….