Manuela tinha razão!
Acabo de passar em Lisboa cerca de dez dias. Melhor dizendo: passei-os num aquário. Saí daqui com chuva miúdinha, entrei na capital com água a cair aos potes. E assim pela semana fora. Daí, talvez, que nas poucas saídas em que me arrisquei, tenha achado a cidade excepcionalmente melancólica e pouco buliçosa. Outra impressão de índole diversa, talvez aterradora para alguns da minha geração, de certo modo engraçada quanto a mim: estou analfabeta! Em reunião de família em que predominavam os muito novos e os bastante jovens, dei por mim a não perceber, literalmente, do que se falava. Tema de conversa: computadores, “filhos, enteados e demais parentelas”. Não fiquei como boi a olhar para palácio, mas, digamos, como boi a ouvir Mozart… Não topei nada de nada. Em cima, disse que estava analfabeta. Reformulo: analfabruta. Analfabetos são os que não sabem ler ou escrever “normalmente” e não os sábios “online” (esta, eu acabei de incorporar na minha ignorância!). Uma explicaçãozinha adicional: desde que presenti que as modernas geringonças electrónicas viriam a ser as maiores inimigas do papel e da caneta, imediatamente as tomei de ponta. Ora eu, que ainda sei a tabuada toda a cor e até faço a prova dos nove para ver se as contas estão certas! Ora eu, para quem um livro em papel, com folhas, páginas, índice, badanas informativas, é um tesouro de aprendizagens inúmeras; para quem um orador com discurso em Português bem esgalhado é um padre António Vieira à proporção que tenha, ora eu!!!… Do PEC, por estes dias anunciado aos basbaques, fiquei com três impressões fundamentais: - 1) Não vamos pagar mais impostos, o tanas! - 2) Os cortes de benefícios fiscais para os mesmos de sempre… - 3) Começamos a vender os “aneis” que nos restam para pagar juros de empréstimo feitos ao estrangeiro. Quando ainda no passado, por esta altura, nos diziam que a “coisa” estava a compor-se e tudo se preparava para vogar em brancas núvens, a borrasca saiu-nos grande.
PS: Rousseau, filósofo e escritor francês do século XVIII, tinha uma muito bem apanhada (a par das mal apanhadas…), que dizia assim: “De todos os animais, o homem é aquele a quem mais custa viver em rebanho”. Custa-me dizê-lo, mas a carapuça serve que nem uma luva ao actual PSD. Daí, por certo, a “estanilice“ do fim do seu Congresso, a mandar ter tento na língua aos militantes antes de eleições nacionais. Os paus na engrenagem e os ataques de incontinência verbal têm vindo ultimamente de dentro do partido - o que não congrega ninguém… Por isso, embora não esteja de acordo, compreendo.
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