Questão de tempos...
Sempre tive um contencioso com o tempo: ou não me chega ou me sobra. Sou daquela espécie de criaturas que é capaz de andar a 200 à hora a tratar do que aos afazeres domésticos ou de qualquer outro género me competem, com o fito de pôr o “conta quilómetros” a zero para as leituras, a música, um pequeno retoque na casa que ainda ficou da véspera - o “dolce far niente” que dá o sonhado chega pr’a lá ao stresse próprio destes tempos. É o meu sal da vida… Por falar em estes tempos: os meus filhos não gostam de me ouvir frequentemente dizer “no meu tempo”. O meu tempo é hoje, repontam eles. Mas não é… Sê-lo-á na parte vivencial - ainda cá estou para contar muitas histórias e até histórias da Histórias…-não o é em certas evoluções naturais do andamento terreno sequencial do “modus.vivendi” destes tempos. Como dizia alguém cujo nome esqueci e muito bem via as coisas, “ser velho é saber tudo e ninguém perguntar nada”… Somos, muitos de nós, arquivos vivos de acontecimentos que morrerão connosco para futuras memórias. E a minha razão de queixa não é muita, que os meus netos perguntam e perguntam… Gostam de saber das coisas passadas da família e dos acontecimentos anteriores ao seu presente. E lêem muito, curiosamente obras dos séculos XIX e XX. De certo modo, “meti-lhes o vício no corpo “ E estou contente. Houve muita vida antes da parafrenália electrónica que os apaixona também. É o seu tempo! A minha neta, Luísa como eu, partiu hoje para o Brasil onde vai fazer parte do mestrado em Engenharia de Gestão Industrial. Por dentro, tenho chorado baba e ranho… Tão longe! Contente estava ela que vai para o Rio, domicilio Copacabana, Universidade Católica, que é sempre das melhores onde quer que funcione. Compreendo-a: o seu presente é já o seu futuro. Combinei com ela que manteremos correspondência por carta, já que não sou afecta a linguagem cifradas à base da fonética…Devo ser a única pessoa do mundo ocidental a escrever cartas!
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