Modernices
Tomávamos um café na esplanada numa tarde de domingo solarenga e o meu amigo não me parecia bem. À minha insistência, disse-me o que o trazia pensativo. ”A minha namorada, de há tantos anos, é boa rapariga, gosto muito dela e ela de mim. Mas zangamo-nos já vai um mês…”, desabafou. Recomendei-lhe que não fosse o teimoso, alguém tinha que dar o primeiro passo, que lhe ligasse, que falassem. “Foi o que fiz hoje de manhã cedo. Ela disse-me que tinha saudades minhas e que descobriu que não me conseguia esquecer”. Disse-lhe que isso era muito bom, que o devia fazer feliz! “Pois – continuou ele -, mas ela concluiu que não me consegue esquecer, porque passou a noite com um amigo…”. Não comentei. Mas, a consolo, lá fui dizendo que era natural, há um mês que tinham rompido o relacionamento e ainda bem que ela experimentou e concluiu que era dele que afinal gostava. Ele desabafou que uma das coisas que mais apreciava na ex-namorada era, precisamente, saber que era diferente da maioria, que nunca seria capaz de se envolver carnalmente com alguém por quem não tinha sentimento, numa noite fútil… “Agora, tenho menos motivos para gostar dela”, concluiu, lamentando. Tempos de novas atitudes, novos conceitos de vida. Alguém me dizia ao lado: “Virá o tempo em que, preservar a intimidade, ter uma noite carnal com um parceiro, só se vai fazer se houver sentimento!”. Será?! Talvez. Acredito. Haverá gente com vontade de ser diferente para melhor. n EC
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