Saudade de Neftali
O tempo neste sábado começou sombrio e o nevoeiro, aqui tão perto, não me deixava ver a escola P3 e a tua moradia. A minha esposa levantou-se mais cedo para fazer as compras no mercado. Este “patrão” ficou mais tempo na cama, a saborear o termo de um sonho lindo. Já bem acordado, espero pelo pequeno-almoço, mas a minha esposa traz-me uma grande e triste notícia. O meu amigo e companheiro tinha falecido. Lágrimas caem-me pelo rosto, devido à dor que me invadiu. Perguntas e mais perguntas para saber que o funeral seria mesmo nesse sábado. Mas quem era este homem bom sem toques de desonestidades? Simples. Somente simples. Da minha varanda, onde faço manutenção, jamais te poderei dizer adeus. O espaço que me vão deixar neste semanário será sempre pequeno para tanta grandeza de espírito e de bondade. Mas o tempo passa depressa que nem damos por tantas coisas boas que deixamos de abraçar. O manto negro da vida cortou a tua existência. Percorreste na vertical muitos traços escuros; mas eu lembro-te que na vida o traço vermelho impede muitos e muitos pensamentos. Hoje, estou doente, não fisicamente; mas pela amargura por nos teres deixado. No café que frequentávamos, a tua falta torna a bica muito mais escura. Já é o escuro da nossa saudade, meu amigo. Até um dia… José Brinco de Morais 19 de Setembro de 2010
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