Saudade de Neftali
Sep 21,2010 00:00 by Brinco de Morais

O tempo neste sábado começou sombrio e o nevoeiro, aqui tão perto, não me deixava ver a escola P3 e a tua moradia.
A minha esposa levantou-se mais cedo para fazer as compras no mercado. Este “patrão” ficou mais tempo na cama, a saborear o termo de um sonho lindo. Já bem acordado, espero pelo pequeno-almoço, mas a minha esposa traz-me uma grande e triste notícia. O meu amigo e companheiro tinha falecido.
Lágrimas caem-me pelo rosto, devido à dor que me invadiu. Perguntas e mais perguntas para saber que o funeral seria mesmo nesse sábado.
Mas quem era este homem bom sem toques de desonestidades? Simples. Somente simples.
Da minha varanda, onde faço manutenção, jamais te poderei dizer adeus.
O espaço que me vão deixar neste semanário será sempre pequeno para tanta grandeza de espírito e de bondade.
Mas o tempo passa depressa que nem damos por tantas coisas boas que deixamos de abraçar.
O manto negro da vida cortou a tua existência. Percorreste na vertical muitos traços escuros; mas eu lembro-te que na vida o traço vermelho impede muitos e muitos pensamentos.
Hoje, estou doente, não fisicamente; mas pela amargura por nos teres deixado.
No café que frequentávamos, a tua falta torna a bica muito mais escura. Já é o escuro da nossa saudade, meu amigo. Até um dia…

José Brinco de Morais
19 de Setembro de 2010