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Nem sempre sou da minha

por Luisa (dra) Mello em Abril 14,2010

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n  Nem sempre sou da minha opinião” - Paul Valery, poeta francês século XIX/XX

Suponho que não é a primeira vez que esta “boutade” me ocorre e que, aqui mesmo, já a passei ao papel. Não sei o que seu autor tinha em mente, a não ser o óbvio, mas, quanto a mim, que várias vezes adopto a ideia, não se trata de falta de coerência. Encontro-me, entre leituras várias, a concordar com gente que ideológicamente me está a milhas e a discordar de quem era de supor partilhar convicções. Alguém disse uma vez que “de perto ninguém é normal…” Estou a ver-me de perto. Na Secção de Economia, em rubrica. “O que diz a oposição” de um dos semanários que costumo ler em fins de semana, encontrei algo de virar o polegar para cima e acenar várias vezes em concordância entusiástica. Transcrevo: “Não vamos aceitar a redução de salários. São um atentado terrorista contra a vida social dos portugueses. Combateremos as mordomias e o desperdício de dinheiro para que aquilo que existe possa ser bem utilizado”. Assinado: Francisco Louçã. Que é feito da minha opinião? Lá que Manuela Ferreira Leite se tenha cansado de avisar que “quando não há dinheiro, esse motivo sobrepõe-se a qualquer outra decisão por mais racional que ela seja, e eu tenho acenado tanto com a cabeça em concordância que até os meus “bicos de papagaio” cervicais tivessem necessitado de pomada, não podia ser mais a minha opinião! E não é que as duas vão dar ao mesmo? Eu nunca votaria no dr. Louçã, por variados motivos, o menor dos quais seria o egoísta temor de que nacionalizasse até o meu armário dos sapatos. Mas a verdade é que também não concordo minimamente com privatizações de empresas que pela sua natureza intrínsica devem ser públicas - o sol quando nasce é para todos! Os CTT, a REN, a EPAL, a Carris… Se são bem ou mal administradas, é outro assunto: nomeiem-se gestores de qualidade, apolíticos (não apenas apartidários, que há o perigo de o passarem a ser, conforme o patrão”) mas que os serviços que prestam não tenham nome próprio e sim um nome comum. São mais que os nosso aneis, são os nossos dedos!
n  Ainda não me situei na Rua de S. Caetano à Lapa. Ali bem perto de onde vivi tantos anos. Estou à espera do começo  do novo “campeonato”! Até lá - e desculpem mais uma citação e esta arqueológica - sou da opinião do grego Ésquilo (século V A.C.): “Conhecerás o futuro quando ele chegar; antes disso, esquece-o”. Só não queria ter de esquecer por muito tempo! É urgente mudar de estilo e de gente. Para melhor? Sabe-se lá! Pelo menos, haja esperança…
 n  LUÍSA MELLO  30/03/2010


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