E quem é, quem é?!
Sou uma mulher afortunada! Sem custos de instalação, manutenção e correlativos, descobri que tenho no meu apartamento uma piscina! Pena é que tenha de pagar-lhe a água. As respectivas facturas aparecem condizentes com a despesa e algumas bem chegadinhas no tempo. Um luxo. Ou melhor, uma lúxuria! Como para sustentar tanta aguínha em temperatura não chegada a ataques de hipotermia necessários são o gás ou a electricidade, a luxúria passa a orgia: gás a preços mastodônticos, electricidade, idem. “E quem é quem é o pai da criança?”, pergunta uma canção marota. E quem é quem é o pai disto tudo, pergunto eu, que estou farta de saber mas já que perguntar não ofende. E quem é que paga o desaforo: somos nós, somos nós, vá lá cantem em coro (rima de apuradíssimo estilo!) Que quem canta seus males, espanta, dependendo dos males é claro. Um dos progenitores desta rambóia, José Sócrates, bem contente se apresentou no dia em que escrevo, perante a resignada (?) assembleia de basbaques que somos todos nós, os seus governados, risonho e entusiasmado pela quantidade de impostos, taxas, coimas, surripianços, que a “pátria” conseguiu arrecadar com a nossa contribuição. Como dizia o outro: quem não tem vergonha, todo o mundo é seu. n Depois desta arenga, volto a pensar, como me sucede às vezes, se eu própria serei da minha opinião, ou se, em teoria, a prática não será outra. Melhor desenvolvendo: sendo eu uma conservadora -liberal e liberal - conservadora, consoante os acontecimentos em apreço -, acho que certas empresas destinadas ao serviço generalizado dos cidadãos não deviam ser privatizadas. Porém, se tais serviços públicos começam a dar tanto prejuízo que a contribuição para o “enterro” não vale o defunto, já ponho as minhas reticências. Como as ponho, também, a esta nova modalidade de greve dos transportes, sem serviços alternativos, serviços mínimos. Parar os principais centros urbanos do país passa a obrigar grande parte da sua população activa a fazer greve forçada ao seu trabalho, o que é um senhor-tiro no pé de uma Economia já de si em decomposição. É a minha opinião: vale o que vale… Tudo isto me traz à ideia aquelas noites de Verão em que a canícula nos não deixa pregar olho e se cede à tentação de deixar a janela do quarto aberta com a luz acesa, a convidar as melgas, vespas, moscardos e outra bicharada voadora a partilhar do sagrado recinto da alcova. Mal se apaga a luz começa aquele zzz…zzzz…zzzz… Às vezes em vôo picado , Às vezes junto aos cortinados, às vezes por cima de um pé que ficou fora do lençol. Impossível descansar, quanto mais dormir! Pois zzzzz… é o que nos mói de momento o juízo e atiça a ansiedade quando não a angústia. É o zzz dos politólogos e economistas, nacionais e estrangeiros, a zumbir que estamos em estertor financeiro. É o zzz daquele vulto que surge amiúde, sorridente, a zumbir alegrias de modestas (mas ainda assim!…) percentagens positivas… Não há Raid que acabe com tanto zumbido. Alguém está maluco e não me parece que seja a maioria! Clara F. Alves no Expresso - Revista: “(…) O que anda o Governo a fazer com os nossos compromissos futuros, quando este governo deixar de ser Governo? Quais as condições que andamos a contratar com parceiros como o Brasil, Angola, Venezuela, China, a caricata Líbia? Ou os Emirados? Que andamos a vender, como andamos a vender e como vamos pagar e ser pagos?” Magnífica pergunta! n LM - 13.02.2011
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